Namíbia reforça apoio à Swapo

Carlos Lopes Pereira

Na Namíbia, a Swapo, o partido da independência, consolidou e ampliou nas recentes eleições presidenciais e legislativas o enorme apoio popular de que dispõe na governação da jovem nação africana.

No escrutínio de 28 de Novembro, o candidato presidencial da Swapo, Hage Geingop, venceu com quase 87 por cento dos votos e o partido conquistou 80 por cento dos sufrágios para o parlamento, garantindo 77 dos 96 lugares.

De acordo com o jornal «The Namibian», de Windhoek, registou-se uma participação de 72 por cento dos eleitores. Nunca como agora a Swapo foi eleitoralmente tão forte.

As principais forças da oposição, ambas de direita, são a DTA (Democratic Turnhalle Alliance), com 4,8 por cento e cinco deputados, e o RPD (Rally for Progress and Democracy), que baixou de 11 por cento há cinco anos para 3,15 por cento e três eleitos.

Estas quintas eleições namibianas, a que concorreram 16 partidos políticos e nove candidatos presidenciais, foram precedidas por uma campanha pautada por um «alto grau de civismo». Os observadores internacionais – da União Africana, da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e da União Europeia – confirmaram que as eleições foram justas, credíveis e transparentes.

Estavam inscritos mais de um milhão e 200 mil eleitores (um em cada cinco nascido depois da independência, em 1990, os apelidados born free), que puderam exercer o seu direito de voto em 4000 assembleias. Pela primeira vez em África, foram utilizadas urnas electrónicas, com ecrãs tácteis, uma sofisticada tecnologia disponibilizada pela Índia.

A Swapo governa o país desde a independência, há quase um quarto de século. Sucedendo a Hifikepunye Pohamba, que cumpriu dois mandatos, Hage Geingop, de 73 anos, será o terceiro presidente da república. Era desde 2012 primeiro-ministro, cargo que já antes tinha desempenhado, entre 1990 e 2002, sob a direcção do presidente Sam Nujoma. Reformado mas ainda muito presente na vida política, Nujoma é uma personalidade respeitada como «sábio», árbitro de conflitos, «pai da nação».

Também veterano nacionalista, considerado pela imprensa como «moderado», tal como o seu antecessor, Geingop, designado candidato há dois anos em congresso da Swapo, apresentou-se ao eleitorado com a consigna «Paz, Prosperidade, Democracia».

Naturalmente, a par do reforço da unidade nacional, essas serão nos próximos anos as prioridades dos governantes namibianos. Que assentarão a economia em sectores como a agro-pecuária, a pesca, o turismo e, sobretudo, a exploração dos vastos recursos minerais (urânio, ouro, prata e diamantes, entre outros).

 De colónia alemã
a país independente

Situada na África Austral, a Namíbia é um país com 2,3 milhões de pessoas habitando um território de mais de 820 mil quilómetros quadrados, uma parte desértica. Com uma longa costa atlântica a Ocidente, faz fronteira com Angola, Zâmbia, Botswana e África do Sul.

Desenhado no mapa a régua e esquadro, em Berlim, e desde finais do século XIX colónia da Alemanha, o então chamado Sudoeste Africano foi ocupado durante a I Guerra Mundial por tropas da África do Sul. A Liga das Nações, em 1921, e as Nações Unidas, depois de 1945, mandataram Pretória para administrar o protectorado e organizar o processo de independência.

Perante a recusa do regime do apartheid em aceitar a emancipação do povo namibiano, este intensificou a resistência e desencadeou, a partir de 1966, a luta armada de libertação nacional, encabeçada pela Swapo (Organização do Povo do Sudoeste Africano), dirigida por Sam Nujoma.

Com a independência da República Popular de Angola, em 1975, as hordas dos racistas sul-africanos utilizaram o território namibiano como base para invadir e agredir militarmente a pátria de Agostinho Neto. Mas a aliança firme entre o MPLA e a Swapo e a resistência heróica das forças armadas angolanas, auxiliadas pelos internacionalistas cubanos, acabaram por travar e derrotar os «invencíveis» exércitos do apartheid.

No fim de 1988, pressionada pela luta emancipadora do seu próprio povo e isolada internacionalmente, a África do Sul aceitou pôr termo à ocupação ilegal do Sudoeste Africano. A 21 de Março de 1990 nasceu a Namíbia independente e Nujoma foi eleito presidente da nova República. Em 1994, Pretória devolveu a Windhoek a soberania do enclave de Walvis Bay, onde se situa o único porto de águas profundas do país.

Hoje, como os resultados eleitorais sugerem, a Swapo continua a ser apoiada pela maioria do povo. E a Namíbia consolida a independência e trilha os caminhos da paz, do desenvolvimento, da democracia.



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