Povo exige justiça
Sucedem-se os protestos de massas a reclamar o apuramento de todas as responsabilidades pelo assassinato de 46 jovens e três outras pessoas no Estado de Guerrero. Segunda-feira, dia 10, estudantes, pais, professores e amigos das vítimas tentaram ocupar o aeroporto de Acapulco, acção simbólica na qual os manifestantes acusaram o presidente mexicano, Peña Nieto, de cumplicidade para com a execução de 43 alunos da Escola Normal de Ayotzinapa, no Sul do país.
A 26 de Setembro, três estudantes daquela escola de formação de professores primários e outras tantas pessoas foram mortas a tiro pela polícia municipal, alegadamente por ordem do autarca de Iguala, José Luis Abarca. Posteriormente, 43 jovens da Escola Normal de Ayotzinapa foram detidos pelas autoridades e entregues por estas a um bando criminoso, o cartel Guerreros Unidos, que os executou e queimou os corpos.
O caso tem motivado uma vaga de indignação e protestos no México, primeiro pelo apuramento do paradeiro dos jovens, desaparecidos durante cerca de um mês, e, depois dos investigadores terem confirmado o massacre supostamente perpetrado por narcotraficantes, contra a violência (que só este ano já terá vitimado mais de 100 mil mexicanos), o envolvimento da polícia com grupos mafiosos e a corrupção e compadrio entre estes e o poder político a vários níveis.
No sábado, dia 8, dezenas de milhares de pessoas desfilaram na capital do Estado de Guerrero, Chilpancingo, e na capital mexicana, Cidade do México. Nesta última, os manifestantes que partiram da Procuradoria-geral da República federal chegaram mesmo a cercar vários edifícios públicos e lançaram a sua fúria contra o Palácio Nacional, sede do governo liderado por Peña Nieto.