Síria denuncia hipocrisia

EUA apoiam novo terror

A maioria dos países que integram a coligação para combater o Estado Islâmico (EI) financiam, armam e treinam terroristas, afirma o ministro dos Assuntos Religiosos da Síria Mohammad Abdelsattar al Sayyed.

EUA aprovaram ajuda milionária de mil milhões de dólares aos grupos opositores na Síria

LUSA

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Em declarações à televisão nacional esta segunda-feira, 22, o ministro lembrou que a Síria luta há mais de três anos contra os actos terroristas de grupos armados, incluindo o EI, desde sempre apoiados pelas potências ocidentais e regionais, pelo que não poderá haver uma aliança séria para combater esse flagelo sem a inclusão da Síria.

A questão que se coloca, cada vez com mais pertinência, é a de saber até que ponto o combate ao EI não será usado como pretexto para levar a cabo acções contra o regime de Damasco. Não deixa de ser curioso registar que, em pleno anúncio das acções contra o movimento sunita no Iraque, os Estados Unidos tenham aprovado uma ajuda milionária (mil milhões de dólares) aos grupos opositores na Síria (entre os quais se incluíam até muito pouco tempo justamente o EI e o Al Nusra, tido como próximo da Al Qaeda).

Vale também a pena ter presente que, se a inclusão do governo sírio na coligação de forças contra o Estado Islâmico não é sequer equacionada como possibilidade, já os ataques em terreno sírio são considerados «indispensáveis».

Segundo a Prensa Latina, o antigo primeiro-ministro britânico Anthony Blair, que desde 2007 desempenha as funções de enviado especial do Reino Unido no Médio Oriente, afirmou esta semana que as acções aéreas contra o EI em território iraquiano, levadas a cabo pela aviação norte-americana e francesa, podem contribuir para o conter mas são «insuficientes» para o destruir. A conclusão é óbvia: é «preciso» levar a cabo ataques na Síria. Cabe assinalar, a propósito, que Tony Blair se mostrou muito indignado com os métodos violentos usados pelo EI, incluindo o linchamento do britânico David Haines, mas não teve uma palavra para denunciar os massacres cometidos pelos terroristas contra a população síria.

Ataque à Síria começou

Tal como o presidente dos EUA Barack Obama, também Tony Blair advoga que as missões bélicas no terreno devem ser levadas a cabo pelos países mais próximos do Iraque porque «são os mais interessados». Indo um pouco mais longe, o ex-chefe das tropas especiais britânicas, Graeme Lamb, citado pela BBC, defende que a situação requer comandos, paraquedistas e assessores em vez de tropas regulares.

Desde 8 de Agosto, os EUA lançaram 176 ataques aéreos contra objectivos do EI no Iraque. Anteontem, 22, registaram-se os primeiros ataques a território sírio, no Norte e Leste do país, alegadamente com informação prévia a Damasco. Está por confirmar se o governo de Bashar al-Assad autorizou os bombardeamentos, já que as informações sobre o assunto são contraditórias.

Recorda-se que as autoridades de Damasco têm vindo a afirmar que qualquer ataque ao seu território em nome da luta antiterrorista, sem o seu consentimento, será considerado uma agressão. Também na terça-feira, um avião militar sírio foi abatido por Israel quando sobrevoava os montes Golã (território sírio sob ocupação israelita). O avião estaria a participar nos ataques aéreos contra os combatentes da Frente al-Nusra, que nas últimas semanas ocupou um posto na fronteira com Israel. A televisão estatal síria classificou o abate do avião como um acto de agressão, considerando que o mesmo surge «no quadro do apoio [israelita] aos terroristas [do Estado Islâmico] e à Frente al-Nusra».
Enquanto isso, as acusações de Damasco à Arábia Saudita – um dos principais aliados de Washington na região – sobem de tom. Na sua declaração à televisão síria, o ministro Abdelsattar al Sayyed considerou o wahhabismo – corrente islâmica imposta pela minoria dominante na Arábia Saudita – de provocar o crescimento do terrorismo na região devido ao seu radicalismo. Lembrou, a propósito, que a campanha de Riade contra a Síria inclui a proibição, já pelo terceiro ano consecutivo, de os muçulmanos sírios irem em peregrinação a Meca, o que em seu entender é uma interferência sem precedentes nos assuntos religiosos.

 



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