Abstenção recorde
A taxa de participação nas eleições europeias de Maio foi a mais baixa de sempre, segundo números finais do Parlamento Europeu que contrariam a ideia inicialmente veiculada.
Números finais não confirmam inversão da abstenção
Os primeiros resultados, divulgados a 25 de Maio pouco depois do fecho das urnas, indicavam uma participação em 43,09 por cento, mais uma décima de ponto percentual do que a registada nas eleições de 2009 (43%).
Com base nesses números, vários dirigentes políticos saudaram a ligeira subida como um ponto de viragem na curva decrescente da participação em eleições europeias desde 1979, como então declarou o líder dos Democratas e Liberais, Guy Verhofstadt, antigo primeiro-ministro da Bélgica.
Também o porta-voz do PE, Jaume Duch, não hesitou em qualificar aquele resultado de «histórico», dada a inversão da tendência.
Porém, na semana passada, as páginas na Internet de actualidade europeia EUObserver e EurActiv noticiaram, dia 6, que os números finais da participação eleitoral nos 28 Estados membros foram «discretamente divulgados» na página do PE, em 25 de Julho, dois meses após as eleições e durante o período de férias das instituições europeias.
A participação foi afinal de 42,5 por cento, meio ponto abaixo da de 2009.
Em declarações ao EUObserver, um porta-voz do PE explicou que a alteração se deveu às diferenças entre os resultados estimados e finais em Espanha e Itália. E que a demora teve a ver com a necessidade verificar a metodologia da contagem dos votos inválidos e brancos em todos os estados-membros.
Todavia, o representante afirmou que os resultados finais continuam a ser animadores. «Quando olhamos para o resultado final e o estimado no final de Maio vemos números muito próximos. O resultado final, ligeiramente mais baixo do que o de 2009, confirma que a forte tendência de descida dos anos anteriores foi travada», insistiu.
Os números finais do PE mostram que a participação eleitoral variou entre 13,05 por cento na Eslováquia e 89,64 por cento na Bélgica. E apesar na Alemanha e na França se ter verificado um aumento da percentagem de votantes em relação a 2009 (de 43,27% para 48,1% e de 40,63% para 42,43%, respectivamente), na maioria dos países observou-se o contrário.
Além da Bélgica, entre os países com taxas de participação mais elevadas, estão o Luxemburgo (85,50%), Malta (74,80%), Grécia (59,97%), Itália (57,22%) e Dinamarca (56,30%).
No fundo da tabela, além da Eslováquia, estão a República Checa (18,20%), Polónia (23,83%), Eslovénia (24,55%) e Croácia (25,24).
Portugal registou a nona participação mais baixa entre os 28, com 33,67 por cento, ligeiramente inferior à apontada inicialmente (34,5%).