Sem fim à vista
A trégua iniciada anteontem não assegura o fim da agressão contra a Faixa de Gaza. Israel anuncia a continuidade da campanha militar alvo de amplo repúdio mundial.
«Vamos retomar as operações», garante Israel
LUSA
A retirada das tropas israelitas da Faixa de Gaza, confirmada terça-feira, 5, na sequência do cessar-fogo anunciado segunda-feira, 4, destina-se a retirar o foco dos massacres cometidos por Israel, considerou o Hamas. De facto, não há espaço para ilusões sobre o ulterior prolongamento da trégua decretada por Telavive. Primeiro porque esta é a nona vez desde o início da campanha, iniciada a 8 de Julho com bombardeamentos e intensificada a 17 com a invasão terrestre, que é fixado o calar das armas, o qual tem invariavelmente terminado com a retoma da agressão sionista. Mas fundamentalmente porque a direcção israelita repete que apesar de ter destruído os túneis do Hamas, subsistem «muitas missões» por cumprir.
Horas antes da interrupção temporária, o primeiro-ministro israelita afirmou que «o que está prestes a ser concluído é a acção nos túneis» e sublinhou que «vamos retomar as operações, incluindo os raides aéreos». Antes já Benjamin Netanyahu havia assegurado que a ofensiva durará «tanto tempo quanto necessário» e com «toda a força exigida».
Acresce que, para lá das justificações dos crimes cometidos por Israel, os EUA traduzem na prática o apreço pela campanha sionista. Ainda na segunda-feira, enquanto um porta-voz da Casa Branca saudava o cessar temporário da hostilidade, Barack Obama concedia 168 milhões de euros para a manutenção do escudo anti-míssil israelita, isto depois de ter aprovado, quarta-feira, 30, o envio de mais armas e munições para as forças armadas de Telavive.
Mobilizar o mundo
Constatando as palavras dos sionistas e o apoio imperialista, não é espectável que Israel interrompa a chacina de palestinianos. Massacre cujo balanço sucinto, segundo os dados do Ministério da Saúde de Gaza, das Nações Unidas e de organizações humanitárias, cifra-se já em mais de 1850 mortos e 10 mil feridos, na sua esmagadora maioria (83 por cento) civis e entre os quais numerosas mulheres e crianças; em 10 mil habitações destruídas, bem como dezenas de infira-estruturas e equipamentos de saúde, de fornecimento de energia eléctrica e água potável; em 500 mil deslocados (um terço do total da população).
A ONU e o seu secretário-geral são parcos na denuncia e na reacção à barbárie israelita, mesmo quando uma terceira escola da organização é bombardeada no espaço de dez dias, caso do sucedido, domingo, 3, em Rafah, junto à fronteira com o Egipto.
Tem valido aos palestinianos o repúdio de governos progressistas e de estruturas de cooperação multilateral, mas sobretudo a solidariedade dos povos, manifesta, por exemplo, na jornada mundial realizada sexta-feira, 1, e sábado, 2, que teve expressão de rua em Portugal e mobilizou milhões de pessoas em dezenas de cidades em todos os continentes.
Solidariedade que se notou também nas iniciativas convocadas pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação – CPPC (que para além do mais dinamiza um abaixo-assinado que é possível subscrever em http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT74233), pelo movimento sindical unitário e pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente – MPPM, com destaque para as realizadas sexta-feira, 1, no Teatro Extremo, em Almada, e ontem, quarta-feira, 6, à tarde no Largo da Estação em Aveiro.
Para hoje, às 18h00, o CPPC, o MPPM e a CGTP-IN convocaram um acto público frente à embaixada de Israel, em Lisboa.