Agressão israelita à Palestina

Sionistas intensificam ofensiva

Israel vai continuar a agressão criminosa contra a Faixa de Gaza, onde o número de mortos não pára de crescer e a sobrevivência é cada vez mais dura.

«Sobreviver na Faixa de Gaza tornou-se uma façanha»

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Ao fim de 21 dias de ofensiva, o número de palestinianos mortos ou feridos ultrapassava os oito mil. Mortos contavam-se, anteontem, 1113, e os feridos ascendiam a cerca de sete mil, informavam as autoridades de saúde da Faixa de Gaza. Metade das vítimas são mulheres e crianças e a maioria dos mortos, civis, contabilizam-se a partir do início da segunda fase da campanha militar lançada por Israel.

A invasão terrestre avançou até deixar sitiadas as mais importantes cidades e boa parte do território ocupado, acompanhada, quase ininterruptamente por bombardeamentos da aviação, da marinha e do exército israelitas.

Numa rara suspensão da vaga militar, domingo, órgãos de comunicação social registaram o grau de destruição. Bairros, localidades inteiras foram reduzidos a escombros. As Nações Unidas estimam que mais de três mil habitações tenham sido destruídas e alertam que as escolas que gere estão sobrelotadas com a chegada de 200 mil deslocados de guerra.

A ONU precisou ainda que 1,2 milhões de pessoas, dois terços da população, carece ou não tem acesso a água potável ou saneamento básico. A escassez de combustível e a destruição de pelo menos metade das linhas eléctricas oriundos de Israel agravam os problemas de fornecimento de energia eléctrica, crónicos desde que Israel impôs um bloqueio à Faixa de Gaza, em 2007.

Para piorar o cenário, na madrugada de terça-feira, 29, a única central eléctrica de Gaza, responsável por 30 por cento do total de energia, foi bombardeada e deixou de funcionar, informou a autoridade palestiniana de energia, para quem a situação eleva substancialmente as dificuldades nos hospitais e infraestruturas de tratamento de água.

Sobreviver na Faixa de Gaza antes da actual investida sionista era já extremamente duro. Neste momento tornou-se uma façanha escapar às bombas, às execuções a tiro, às carências múltiplas. A organização Mundial de Saúde e o Comité Internacional da Cruz Vermelha protestam contra o quotidiano ataque a centros médicos, veículos e pessoal de emergência.

Propostas de cessar-fogo ou não são implementadas ou terminam com acusações mútuas de violação da trégua. Israel não vai parar o castigo colectivo que está a impor aos palestinianos. Isso mesmo confirmou, segunda-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que em discurso transmitido pela televisão avisou que Israel deve preparar-se para «uma longa campanha».

Netanyahu sente que tem terreno livre para prosseguir o massacre. Horas antes, os principais chefes de governo «ocidentais» reafirmaram, após comunicação por videoconferência, a posição de princípio de que «a deterioração da situação está nas mãos dos extremistas».

Barack Obama, Angela Merkel, François Holland ou David Cameron, entre outros, referem-se ao Hamas e a outros grupos da resistência palestiniana quando falam de «extremistas». Como qualificam, então, um governo que, como o de Israel, bombardeia o maior hospital de Gaza (segunda-feira, 28), ou uma escola das Nações Unidas (quinta-feira, 24) que os palestinianos viam como o derradeiro refúgio?

Os túneis usados pelo Hamas para introduzir comandos nos territórios ocupados por Israel, a capacidade do movimento para lançar rockets contra colonatos e a alegada insistência no não reconhecimento do Estado de Israel, são permanentemente invocados por Telavive. Não obstante, ainda no domingo, em entrevista concedida à rádio norte-americana PBS, o líder do Hamas, Khaled Meshaal, exilado em Doha, no Catar, garantiu que «nós não somos fanáticos, nós não somos fundamentalistas. Nós, de facto, não estamos em luta contra os judeus porque eles são judeus. Nós lutamos contra o ocupante».

«Eu estou preparado para viver com os judeus, com os cristãos, com os árabes e com aqueles que não são árabes», afirmou Meshaal, citado pela Lusa, antes de esclarecer que, quanto ao reconhecimento do Estado de Israel, o assunto só pode ser tratado «quando tivermos um Estado palestiniano».



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