CDU – voto de protesto e alternativa
O primeiro-ministro tentou dar a sua golpada publicitária pré-eleitoral ao anunciar a chamada «saída limpa» da troika. Disse que, claro, é necessário continuar o «rigor orçamental», o que pode ser traduzido na vida real dos portugueses pela continuação do empobrecimento e do roubo. Que a saída será feita com a «confiança dos mercados», ou seja, com a confiança e satisfação dos patrões, dos especuladores, dos grandes grupos económicos e financeiros. Como é evidente, diz que é necessário e inevitável prosseguir o «programa reformista» do País, o que significa que querem prosseguir com a destruição dos serviços públicos, dos direitos sociais e laborais, com as privatizações, com a venda do País ao capital transnacional.
No dia seguinte ao anúncio do primeiro-ministro, nos contactos de rua que fizemos com a população e trabalhadores, comprovámos que ninguém hoje acredita naqueles que disseram que não iriam cortar salários nem aumentar impostos e o fizeram. Naqueles que há dias anunciaram que os cortes antes anunciados como transitórios nos salários ou nas pensões afinal serão permanentes, que dias antes, através da apresentação do Documento de Estratégia Orçamental, anunciaram a substituição de cortes extraordinários por cortes definitivos.
Já ninguém acredita neste Governo. Todos sabem que mente. Já ninguém acredita nas palavras do vice-primeiro-ministro Paulo Portas sobre o fim do «protectorado» quando, ao mesmo tempo, foi anunciado que a troika cá estará pelo menos até 2038 para verificar se a exploração, a liquidação de direitos ou o saque dos salários e das reformas marcham ao sabor do interesses dos especuladores. As pessoas estão zangadas, desiludidas e indignadas com o que este Governo lhes fez. Muitas pensam que a forma de expressarem o seu protesto é através da abstenção. Que não votando se compreenderá a sua indignação. É preciso dizer a todos que PSD e CDS ficarão mais contentes quantas mais pessoas descontentes se abstiverem. Tal significará que não dão a sua opinião e o Governo dir-se-á legitimado para prosseguir as políticas de destruição do País e do nosso futuro colectivo. É preciso dizer a todos que, para mostrarem indignação e protesto, o voto acertado é na força política que está ao lado dos trabalhadores em todos os momentos, que luta contra estas políticas, mas também que propõe o caminho alternativo. O caminho alternativo do trabalho digno e com direitos, da tributação dos grandes grupos económicos e não de quem trabalha, da nacionalização dos sectores estratégicos do Estado para que estejam ao serviço de todos e não de alguns, da não submissão aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros transnacionais e à União Europeia, projecto político que sempre dissemos que se constituiu para defender esses mesmos interesses. Há soluções e alternativas. Mas é preciso que todos digam bem alto que querem a alternativa. O voto na CDU é a grande oportunidade para que os portugueses digam, por um lado, que querem deputados no Parlamento Europeu que defendam os trabalhadores portugueses e uma política patriótica e de esquerda. É, por outro lado, a oportunidade para condenarem com toda a clareza as políticas de direita deste Governo e que foram, antes, prosseguidas pelo Partido Socialista. É a oportunidade para todos contribuirmos para a derrota do Governo. Passos Coelho disse que o dia 17 de Maio ficará na história de Portugal. Se o povo português quiser, dia 25 de Maio poderá, sim, ficar na história de Portugal como o dia em que o povo escolheu a alternativa.