A arma mais poderosa é a mentira
«Sem precedente no país o incêndio de uma universidade: a Unefa. O incêndio da sua biblioteca traz uma imagem dantesca, desoladora. Fizeram-no em nome da ‘Venezuela decente’, da ‘sociedade civil’, dos ‘estudantes pacíficos’. O terror pretende subsistir na memória como uma tatuagem a fogo sobre a pele. Como disse o poeta alemão Henrique Heine: Ali onde se começam a queimar os livros, termina-se a queimar as pessoas.»
Earle Herrera, jornalista e professor universitário venezuelano
1. No estado Táchira, que junto com outros da fronteira está na mira para um movimento secessionista abertamente apoiado por um partido da direita, os guarimberos com o apoio de paramilitares colombianos alinhados com o narcotraficante Uribe, para além de já terem actuado contra 15 universidades, arrasaram completamente com o pólo da Unefa – Universidade Nacional Experimental das Forças Armadas – a maior universidade do país, com mais de 240 mil alunos, que foi fundada em 1973 pelo democrata-cristão Rafael Caldera. Na Unefa a destruição foi total e ainda ninguém na oposição assumiu responsabilidade alguma ou, o que é pior, ninguém criticou este terrorismo a que nunca se atreveu Hitler. Faz lembrar aquilo de «quando ouço a palavra cultura, puxo da minha Browning» ou não?
2. O ecocídio deveria ser considerado um crime contra a humanidade. E este é outro dos crimes que carrega às costas a extrema-direita venezuelana. Em pouco mais de um mês de guarimbas (barricadas), destruíram mais de cinco mil árvores nos poucos municípios onde se concentraram as suas manifestações cinicamente classificadas como «pacíficas» pelos media venezuelanos e internacionais, que alinham com os interesses de Washington. Cortam-nas com a ajuda de moto-serras, uns instrumentos muito queridos dos paramilitares de Álvaro Uribe que as utilizam também para assassinar militantes da esquerda, líderes sindicais e simples camponeses. Dentro de pouco sairão das prisões do país vizinhos 400 paramilitares. Sabendo que a sua reinserção na sociedade civil é muito difícil, onde é que eles irão parar?
3. Nesta verdadeira orgia de terror nem os centros de saúde se salvam. Na tentativa gorada de derrubar o governo de Nicolás Maduro, os neonazis acabaram com onze centros de saúde dedicados à atenção dos sectores mais pobres da população. Do mesmo modo, não hesitaram em queimar vários camiões com toneladas de alimentos – eles que dizem protestar contra a escassez de alguns bens – que iam a caminho dos mercados populares. Os centros do poder eleitoral também não foram poupados. A sede do poder eleitoral do estado Zúlia foi destruída em 60%... mas isto pode entender-se como uma vingança porque perderam 18 das últimas 19 eleições! O mesmo sucede com as instalações eléctricas. Há poucos dias provocaram um incêndio no Waraira Repano, o grande pulmão vegetal de Caracas, e como resultado danificaram uma instalação que provocou um apagão em boa parte da capital.
4. Entretanto, os terroristas da extrema-direita procuram apoio «profissional» internacional. Recentemente foram detidos num hotel de Caracas 13 indivíduos estrangeiros, a maior parte procedente de Trinidad e Tobago. Dois deles, Luqman Assim e Dominic Clive já foram julgados na ilha por participação numa tentativa de assassinato do primeiro-ministro de então, Persad-Bissessar, em 2011.
5. Entretanto, perante o silêncio cobarde – cúmplice? – dos sectores alegadamente moderados da oposição, a sua vanguarda mais inescrupulosa, agressiva e terrorista continua sem travões. E a sua grande arma é a mentira. São tantas que é impossível referi-las todas. Dois exemplos: Carlos Mata, actor muito conhecido, juntou-se à campanha de calúnias com um twitt sobre a «repressão na Venezuela». A mentira foi imediatamente desmentida porque se tratava de uma fotografia tirada no Chile de Piñera. O actor admitiu, desculpou-se, mas a provocação já tinha dado a volta ao mundo. Ele não está só. Outra representante do mundo «artístico», Amanda Gutiérrez, foi muito mais longe. Publicou um twitt com uma imagem onde se podia ver um polícia a obrigar um estudante a fazer-lhe uma felação. Havia outros agentes ali, aparentemente na bicha para o mesmo acto sexual. Pouco depois descobriu-se que era um fotograma de um filme pornográfico. Ao ver-se descoberta, disse que lamentava o erro. Um e outro twitt nada têm de ingénuos. São achas para tentar fazer crer que os «pacíficos estudantes» são violados e torturados pelas forças públicas.