Contra a destruição da Educação
Os estudantes do Ensino Básico e Secundário realizaram quinta-feira, 13, um Dia Nacional de Luta, para denunciar todos os ataques feitos ao ensino público por parte do Governo PSD/CDS e reivindicar mais financiamento para a educação.
São cada vez mais as escolas degradadas
«O ensino enfrenta, com a aprovação do Orçamento do Estado para 2014, um corte de 500 milhões de euros, acrescentando aos dois mil milhões cortados nos últimos quatro anos», referem as associações de estudantes, mais de cem, envolvidas no Dia Nacional de Luta que se realizou, entre outros concelhos, em Sintra, Vila Nova de Gaia, Santo Tirso, Braga, Vila Real, Mirandela, Guimarães, Barcelos, Bragança, Alijó, Vila Real, Mirandela, Chaves, Viana do Castelo, Vila Real de Santo António, Covilhã, Barreiro, Póvoa de Lanhoso, Montijo, Almada, Campo Maior, Lisboa, Porto, Tomar, Seixal, Odivelas, Pontinha, Salvaterra de Magos, Vila Flor, Coimbra, Vila Verde, Santarém, Benavente, Santa Maria da Feira, Miranda do Douro, Castelo Branco, Vale de Cambra, Ovar, Maia, Matosinhos, Póvoa de Varzim, Marco de Canaveses, Felgueiras, Palmela, Almeirim, Nazaré, Gondomar, Ermesinde, Santo Tirso, Vila do Conde, Lousada, Paredes e Freamunde.
O apelo para este Dia Nacional de Luta foi lançado pela Associação de Estudantes da Escola Secundária Santa Maria (Sintra) e António Sérgio (Gaia).
«São cada vez mais as escolas degradadas, ou com obras paradas, turmas que chegam a ter 30 alunos, devido à falta de professores e de funcionários, o que impossibilita o bom funcionamento dos serviços escolares. A estes problemas acrescenta-se o elevado número de alunos do ensino profissional que deixaram de receber o subsídio de alimentação e transportes, subsídios estes que lhes garantem a sua deslocação para a escolas e as refeições», referem, em nota de imprensa, os estudantes, que, na rua, lutaram pelo direito a estudar numa escola pública, gratuita e de qualidade.
«Não somos ferramentas»
A Associação de Estudantes da Escola Secundária Frei Heitor Pinto, Covilhã, publicou um apelo onde condena a actual política educativa.
No documento – onde se reflecte criticamente sobre o sistema de ensino, bem como sobre as fragilidades que assolam e condenam o futuro dos estudantes – reclama-se «um diferente conceito de educação» que «seja um fim em si mesmo, que não veja nos estudantes simples ferramentas que devem ser polidas para o mercado de trabalho, mas sim homens e mulheres que possam crescer como tal, ter respeito, alta escala de valores e qualidade de espírito, que são a verdadeira riqueza de qualquer pessoa e, obviamente, de qualquer sociedade».
«Considerar a Educação como um meio para atingir um fim é considerar os alunos como um meio para um fim. Não somos nem queremos ser meras ferramentas ao serviço do capital ou do que quer que seja. Só numa perspectiva em que a educação se torna meio, se torna parte de um negócio, é que faz sentido formar mega-agrupamentos, aumentar o número de alunos por turma, reduzir os salários de docentes e racionar o apoio financeiro às escolas», critica o apelo.