Protesto junta milhares
Cerca de sete mil pessoas participaram, no sábado, 15, numa «maré vermelha» em Madrid contra os despedimentos colectivos em quatro fábricas da Coca-Cola.
Greves maciças causam ruptura no abastecimento
A manifestação na capital espanhola foi mais um passo na luta determinada dos trabalhadores da Coca-Cola para impedir o encerramento de quatro das 11 unidades produtivas que existem no país.
Sem qualquer justificação que não seja a necessidade de aumentar lucros, o engarrafador concessionário da multinacional norte-americana anunciou, no final de Janeiro, o fecho das fábricas de Fuenlabrada, em Madrid, de Colloto, nas Astúrias, de Alicante, na comunidade de Valência, e de Palma de Maiorca.
A reestruturação foi apresentada pela Coca-Cola Iberian Partners, empresa com sede em Madrid, resultante da fusão das sete empresas engarrafadoras da Coca-Cola em Espanha, que agora é também responsável pela produção e comercialização do produto em Andorra e Portugal, onde tomou o controlo da Refrige.
Seguindo a fria lógica do lucro, o novo gigante da indústria agro-alimentar, com uma facturação anual de mais de três mil milhões de euros, pretende despedir 750 trabalhadores e deslocar para outras cidades outros 500.
O plano suscitou a mais viva condenação por parte dos sindicatos e trabalhadores, que mantêm desde o final de Janeiro greves por tempo indeterminado em várias unidades, provocando rupturas no abastecimento, nomeadamente na região de Madrid.
Conscientes de que ninguém está a salvo, uma vez que a reestruturação abrange todas as fábricas, delegações comerciais e serviços administrativos, com vista a eliminar duplicações, trabalhadores de várias regiões participaram no protesto, ostentando cartazes e bandeiras das respectivas comunidades autónomas.
A jornada, realizada debaixo de chuva, terminou com a intervenções dos líderes das centrais sindicais CCOO e UGT, Ignacio Fernández Toxo e Cándido Méndez, respectivamente.
Mendez sublinhou precisamente que não estão em causa apenas os empregos de 1253 trabalhadores: «Todos os mais de quatro mil que laboram na Coca-Cola de Espanha sentem-se atingidos e temem perder o seu emprego». «Esta recuperação, com que Rajoy enche a boca, feita de destruição de emprego e perda de direitos, não é a que os trabalhadores querem».
Por sua vez, Toxo manifestou confiança na luta dos trabalhadores, sublinhando que tal como a «maré branca» obrigou o governo de Madrid a recuar, também «esta “maré vermelha” será o prelúdio da vitória dos trabalhadores da Coca-Cola».
Ambos os dirigentes apelaram ao governo que «desvie o olhar»: «Deixem de falar de dados macroeconómicos e falem de pessoas e de direitos», desafiando o executivo de Rajoy a «obrigar a multinacional a abrir uma verdadeira mesa de negociações, sem encerramentos e sem despedimentos».
Na segunda-feira, 17, o presidente da Coca-Cola Iberia, Marcos de Quinto, reuniu-se com representantes dos trabalhadores do engarrafador concentrados frente à sede da marca. Quinto reconheceu que a actual situação «não ajuda à imagem da empresa» e disse estar seguro de que o conflito será superado em negociações.