Metro volta a parar
Os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa cumprem hoje nova jornada de greve, com paralisação até às 10 horas. Em causa está o OE e a concessão da empresa a privados.
Os trabalhadores do Metro defendem o acordo que está em vigor
A decisão de realizar uma greve parcial por semana foi tomada em Dezembro pelos trabalhadores da empresa, que contestam as medidas inscritas no Orçamento do Estado para este ano e o conteúdo do decreto-lei 133/2012, que abre a porta à concessão da empresa a grupos privados. Na próxima quinta-feira, 23, há nova paralisação.
Em declarações à Lusa, Anabela Carvalheira, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Telecomunicações (Fectrans), garantiu que o OE prejudica uma vez mais os trabalhadores do sector empresarial do Estado, que sofrem de novo mais «cortes brutais». Muitos destes trabalhadores enfrentam já situações insustentáveis, acrescentou. Para além do cortes que recaem sobre salários e pensões, os trabalhadores contestam igualmente a redução das indemnizações compensatórias devidas à empresa, que não deixará de pôr em causa o serviço prestado pelo Metropolitano de Lisboa.
No que respeita ao decreto-lei 133/2012, a sindicalista denunciou o seu conteúdo fundamental: abrir as portas à concessão da empresa a privados e reduzir o número de trabalhadores, os salários e os direitos. Da entrada em vigor do OE e de outra legislação resultou a suspensão das normas incluídas no Acordo de Empresa, o que teve como consequências imediatas a «redução substancial do rendimento dos trabalhadores e a diminuição da qualidade e segurança do serviço público», sustenta a Fectrans num comunicado emitido no dia 13.
Reuniões inconclusivas
Para esse mesmo dia 13 estava prevista uma reunião entre a federação sindical e administração, desmarcada por esta sem ter sido anunciada uma nova data. Para a Fectrans, «estamos perante uma administração que foge às suas responsabilidades na resolução de um problema da empresa». A federação garante que os trabalhadores lutam porque «não vêem resolvidos os seus problemas».
Nesse mesmo dia, comentando a desmarcação da reunião, o coordenador da Fectrans, José Manuel Oliveira, afirmou à Lusa que os sindicatos mantêm toda a disponibilidade para dialogar. Mas, ressalvou, «não se resolvem questões só com uma parte, têm de ser duas».
A última reunião entre a Fectrans e a administração do Metropolitano de Lisboa teve lugar no dia 3 de Janeiro. No final, os dirigentes sindicais confessaram-se desiludidos, pois, como então afirmou à Lusa Anabela Carvalheira, «saímos de lá como entrámos, sem nada de especial. O Conselho de Administração continua a dizer que é o Governo que dirige os nossos desígnios».