Aumentos miseráveis e para poucos
Numa nota da sua Comissão para os Assuntos Sociais, emitida no dia 30 de Dezembro, o PCP acusa o Governo de querer criar ilusões relativamente à natureza da sua política. O aumento de um por cento em algumas pensões mínimas (medida inscrita no Orçamento do Estado para este ano) abrange um universo «muito reduzido dos reformados e pensionistas cujos valores de reforma estão muito abaixo do limiar da pobreza» e não inverte a tendência de aprofundamento da «espiral de empobrecimento dos cerca de três milhões de reformados e pensionistas da Segurança Social e dos 600 mil da Caixa Geral de Aposentações».
Os destinatárias de «alguns míseros cêntimos» a mais nas suas pensões em 2014 são apenas e só os que auferem as pensões mínimas do regime geral da Segurança Social com carreiras contributivas inferiores a 15 anos (que terão um aumento de 2,5 euros). Todas as restantes pensões mínimas manterão os mesmos valores de 2010.
No que respeita à CGA, só sofrerão aumentos – de 2,4 e 2,5 euros, respectivamente – as pensões correspondentes a carreiras contributivas entre os 5 e os 12 anos, que passam para 242,39 euros; e as relativas a carreiras contributivas até 18 anos, que passam a ser de 252,65 euros. As restantes mantêm-se congeladas desde 2010.
A pensão do regime dos agrícolas aumenta 2,37 euros e a pensão social do regime não contributivo sobre 1,89 euros, passando para 199,53 euros. O valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que serve de base para o cálculo das pensões, mantém-se inalterado desde 2009, nos 419,22 euros. Mais de um milhão e 400 mil reformados recebem pensões inferiores ao valor do IAS, a que acrescem mais 194 mil cujas reformas se situam entre este valor e os 628,82 euros.
Neste comunicado, o PCP chama atenção para o facto de 75 por cento dos pensionistas de velhice auferirem pensões com valores inferiores ao IAS, ao mesmo tempo que os 870 milionários portugueses viram as suas fortunas crescer 7,5 mil milhões em apenas um ano. O Partido recordou ainda que apresentou uma proposta, em sede de discussão parlamentar do Orçamento, visando um aumento de pelo menos 25 euros em todas as reformas, sendo que em caso algum esse aumento fosse inferior a 4,8 por cento. PS, PSD e CDS chumbaram essa proposta.