Tempo de dar mais força aos valores de Abril
Prestes a terminar, 2013 fica definitivamente marcado como o ano em que se acentuou o rumo de desastre e declínio nacional, fruto de 38 anos de políticas de direita, a que agora o memorando de entendimento subscrito pelo PS, PSD e CDS com a UE, FMI e BCE dão corpo, e que o Partido classificou de pacto de agressão contra povo e o País. Um rumo de destruição do emprego, que empurrou centenas de milhares de portugueses para o desemprego e para a emigração, desaproveitando criminosamente a capacidade produtiva de gerações inteiras e condenando hoje mais de dois milhões de portugueses a viverem no limiar da pobreza.
A situação do País abre perspectivas de reforço do Partido
Um rumo de agravamento e intensificação da exploração dos trabalhadores, roubando nos salários, reformas, pensões e prestações sociais, aumentando a precariedade, o horário de trabalho, a idade da reforma, roubando feriados. Uma política de desastre que arrastou o País para uma recessão económica sem fim à vista, que reduziu o investimento público a níveis de há décadas, atacou e destruiu serviços públicos e funções sociais do Estado, reduzindo e encerrando serviços – finanças, tribunais, escolas, centros de saúde, entre muitos outros, particularmente no interior do País, contribuindo para a sua desertificação –, e privatizou importantes empresas publicas com a ANA e os CTT, agravando os níveis de dependência nacional. Uma política de ajuste de contas com a Revolução de Abril, degradando o regime democrático e atacando a Constituição e os direitos que consagra.
Mas 2013 fica indelevelmente marcado também por uma intensa luta desenvolvida pelos trabalhadores e pelas populações. Pequenas mas importantes lutas contra o encerramento de serviços públicos, contra o aumento das portagens, pelo direito à saúde e à educação, pela água pública, contra a extinção de freguesias, entre muitas outras, mas também grandes jornadas de convergência, marcadas pela CGTP-IN, como a Greve Geral de 27 Junho, as Marchas por Abril, de 19 Outubro, ou o Dia Nacional de Indignação e luta de 26 Novembro. E, novamente, na Semana de Luta de 16 a 20 de Dezembro, exigindo do Presidente da República que vete o Orçamento do Estado.
Luta organizada, nascida do profundo sentimento de indignação face aos ditos «sacrifícios» que atingem apenas os que vivem do seu trabalho enquanto milhares de milhões são entregues de mão beijada ao grande capital. Luta que coloca dificuldades e trava objectivamente os intentos de levar mais longe o esbulho de direitos. Luta que necessariamente tem de crescer, de se alargar e intensificar, porque é o caminho mais certo e seguro para interromper a política de direita, demitir o Governo, realizar eleições antecipadas e abrir espaço à concretização de uma política patriótica e de esquerda.
Reforçar o Partido
Este caminho exige o crescimento e reforço, nas suas várias dimensões, do Partido Comunista Português, questão central colocada na sua intensa e diversificada actividade, que marca também este ano, só possível com o empenho, dedicação e militância de milhares dos seus membros que lhe conferem esta enorme capacidade realizadora. Uma intensa e diversificada intervenção, desde logo no plano da iniciativa política; na denúncia de numerosos problemas que os trabalhadores e as populações enfrentam; na divulgação das propostas do Partido; na dinamização da luta de massas, na qual os comunistas estão na primeira linha. Na afirmação da necessidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda que devolva aos trabalhadores e ao povo português rendimentos e direitos retirados, que liberte Portugal da dependência e assegure um País independente e soberano.
A iniciativa política do PCP expressou-se também nas comemorações do centenário de Álvaro Cunhal, com a realização de um vasto e diversificado programa que deu a conhecer a sua vida, pensamento e luta às novas gerações, e que contribuiu para alargar o interesse no conhecimento e estudo da sua obra e vida inteiramente dedicada aos ideais da liberdade, da democracia e do socialismo, e ao seu Partido de sempre – o PCP. Destaca-se, destas comemorações, o grande comício realizado a 10 Novembro no Campo Pequeno, em Lisboa, que pela determinação e convicção demonstradas pelos milhares de participantes projectou mais força para a luta que continua.
A importante batalha das eleições autárquicas foi enfrentada com êxito, desde logo com a constituição de centenas de listas a órgãos municipais e de freguesia, que no quadro da CDU envolveram milhares de independentes, obtendo uma importante vitória eleitoral que se traduziu no facto de a CDU ter sido a única força que viu os seus resultados crescerem simultaneamente em mais votos, mais percentagem e mais maiorias.
Dar mais força ao PCP é uma tarefas de todos os dias, aproveitando as potencialidades de crescimento do Partido, alargando o recrutamento, integrando os novos militantes, dinamizando a acção e iniciativa das organizações de base, em particular as de empresa e local de trabalho, e aumentando a capacidade financeira do Partido, mantendo a quota actualizada e em dia e contribuindo para a campanha de Um Dia de Salário para o Partido.
A situação do País exige um Partido mais forte e capaz de enfrentar com êxito as exigentes e múltiplas responsabilidades a que é chamado a responder. Mas, ao mesmo tempo, abre perspectivas, potencialidades e possibilidades de se afirmar, de alargar a sua influência, de crescer e de se reforçar para dar mais força aos valores de Abril no futuro de Portugal.