Contra cortes na remuneração
e na segurança

Polícias unidos na luta

Sem resposta do ministro às reivindicações que estiveram na raiz da grande manifestação dos profissionais da área da segurança interna, a CCP deverá voltar a decidir novas acções de protesto.

As medidas do Governo e este Orçamento passam os limites

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Na passada quinta-feira, dia 21, milhares de homens e mulheres, vindos de todos os distritos, responderam à convocatória da Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, que teve o apoio de outras estruturas. Com mais de dez mil participantes, esta terá sido a maior manifestação de profissionais desta área.
Contra os cortes previstos na proposta de Orçamento do Estado para 2014 e salientando que tais medidas, além de afectarem as remunerações de cada um, colocam em causa o funcionamento das instituições e as condições de trabalho no dia-a-dia , concentraram-se na Praça de Luís de Camões, desde as 17.30 horas, profissionais da PSP e da GNR (cuja forte presença era visível no grande número de bandeiras da ASPP e da APG), da Guarda Prisional, da Polícia Marítima, da ASAE, do SEF, da Polícia Judiciária e de polícias municipais.
Esta ampla unidade foi destacada pelo secretário nacional da CCP, nas declarações que foi prestando aos jornalistas. «Pela primeira vez, chegamos todos à conclusão de que há uma tentativa de destruição das forças policiais», disse Paulo Rodrigues, alertando que o prosseguimento da política reflectida no OE poderá ter um impacto extremamente negativo na segurança dos portugueses e comprometer a qualidade da segurança pública.

Revolta 

A manifestação partiu cerca das 19 horas, com faixas, cartazes e palavras de ordem, como «Passos, escuta, os polícias estão em luta» e «Está na hora de o Governo se ir embora», descendo a Rua do Alecrim, em direcção à Avenida D. Carlos I e ao Palácio de São Bento.
Na concentração, que encheu o largo formado pela Rua Correia Garção, a Rua de São Bento e a Calçada da Estrela, compareceram António Filipe e Jorge Machado, deputados do PCP, em demonstração de solidariedade. Ao protesto associaram-se também, entre outros, o Secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, e o secretário-geral do Conselho Europeu dos Sindicatos de Polícia, Gérard Greneron.
Cerca das 20h30, os manifestantes removeram as grades e, de seguida, forçaram o cordão policial, subindo a escadaria e transportando o protesto até junto da entrada principal da Assembleia da República.
O «estado de revolta» dos profissionais justificou, para Paulo Rodrigues, este acto simbólico de um grupo, que rompeu a barreira de segurança e atrás do qual seguiram os demais manifestantes, sem agressões nem desacatos. Nas declarações no local e nos dias seguintes (nomeadamente, numa entrevista, sexta-feira de manhã, na Antena 1, e na sua crónica de sábado, no Correio da Manhã), o dirigente da CCP e da ASPP responsabilizou o Governo, por não perceber os alertas sindicais, sobre os profissionais estarem no limite, e observou que as consequências poderiam ter sido mais graves, se fosse menos adequada a actuação do Corpo de Intervenção da PSP.
Na quinta-feira feira, também ao final da tarde, algumas dezenas de profissionais da PSP, da GNR e do SEF concentraram-se, em silêncio, no Funchal, frente à residência oficial do Representante da República para a RA da Madeira, noticiou a agência Lusa, indicando como motivo do protesto a demonstração de solidariedade para com a manifestação que decorria em Lisboa.

 

Não terminou

«Esta acção de protesto foi a primeira iniciativa de um processo de luta que crescerá e prevalecerá, enquanto o Governo não recuar», afirma-se na saudação da Associação dos Profissionais da Guarda a todos os que estiveram na manifestação de dia 21. No documento, divulgado no dia seguinte, a APG afirma que «o Governo pode tentar passar ao largo do direito ao exercício livre do associativismo profissional na GNR, como tem feito até hoje, mas não pode ignorar a voz dos milhares de profissionais» que estiveram na rua.
Na manhã de dia 22, Paulo Rodrigues reafirmou à agência Lusa que «vamos continuar a lutar para que este estado de coisas seja alterado». Remetendo a decisão para uma próxima reunião da CCP, reafirmou que «há uma grande desmotivação, uma grande revolta» e «todas as iniciativas que possam reflectir o protesto e essa desmotivação podem vir a acontecer».
Já ao fim da noite de sexta-feira, após a comunicação do ministro da Administração Interna, o secretário nacional da CCP disse que Miguel Macedo não foi ao encontro das reivindicações dos polícias nem explicou a decisão de substituir o director nacional da PSP.




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