Tunísia
Governo e oposição assinaram um acordo para resolver o impasse político que perdura há meses no país. Um ecléctico quarteto composto por representantes sindicais, da associação patronal, da Ordem dos Advogados e da Liga dos Direitos Humanos mediou as conversações entre o governo liderado pelo partido islamita e os partidos políticos laicos, garantindo que, até ao final de Outubro, o contestado executivo tunisino deixe o poder, sendo substituído por um gabinete de «tecnocratas».
À erosão da base social de apoio do Ennahda em consequência do agravamento da crise económica e da resposta violenta às principais reivindicações laborais e populares, juntou-se a contestação após o assassinato de dirigentes da esquerda tunisina – Chokri Belaid, em Fevereiro, e Mohamed Brahimi, em Julho.
Até à entrada em funções do novo executivo «independente», a Assembleia Constituinte deverá aprovar um texto fundamental, uma nova lei eleitoral e eleger uma comissão encarregada de convocar, até ao final de 2013, novo sufrágio legislativo, tarefa que não isenta de obstáculos dada a correlação de forças existente no parlamento (dominado pelas formações islamitas), à qual acresce a permanência de uma super-estrutura assente nos mesmos interesses económicos, no mesmo aparelho judicial, repressivo e mediático em que assentava a ditadura.