Os salta-pocinhas

Aurélio Santos

Não sabemos quantos são, mas sabemos que são sempre os mesmos. Vivem numa azáfama constante transitando dos corredores do poder político para os corredores do poder financeiro, ou seja, do grande capital. Nos intervalos sempre encontram um confortável cargo nas empresas públicas, principescamente pago, ou mesmo nas privadas que assim saldam aquele pequeno grande favor deste ou daquele diploma que tanto jeito lhes deu.

Se seguirmos os seus percursos profissionais, foram sempre administradores, presidentes, ministros, secretários, chefes de gabinete ou na pior das hipóteses, assessores de qualquer coisa. A razão invocada é sempre a mesma «a sua alta competência, a sua invulgar capacidade os seus fabulosos percursos académicos».

Rapidamente fazem fortuna, não à custa do seu trabalho como seria de esperar, mas à custa do nosso trabalho, do património colectivo pertença de todos.

Alguns, muito convenientemente dizem-se independentes para assim poderem ter sempre um pé, (leia-se um emprego) através dos partidos do arco da governação.

«Agem sempre no estrito cumprimento da legalidade» (a ética e a moral) ou melhor, a falta delas, não dá processo judicial. E se o azar bater à porta, ou seja o poder judicial, não tem importância, porque sempre se encontra uma forma de escapar às malhas da justiça.

A factura, essa fica para ser paga pelos mesmos do costume – os trabalhadores, o povo, os pobres.

Fazem inflamados discursos que o Estado se deve retirar da economia mas são as maiores sanguessugas dos dinheiros públicos.

Do outro lado do Atlântico, um operário metalúrgico com a 4.ª classe (apesar de não estar isento de falhas) tirou mais de 20 milhões de brasileiros da pobreza, e pôs o seu país a crescer.

Aqui as elevadas credenciais e a incontestada competência destes senhores apenas têm servido para empurrar 30% da população para a pobreza, mais de um milhão para o desemprego e pôr o País a definhar.

Não servem o País, servem-se do País, são os detractores da democracia, que desvirtuaram e conspurcaram.

É preciso desinstalá-los.

É tempo de dar uma oportunidade à verdade e à honestidade.

Chegou a hora de dispensarmos os seus serviços.




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