Greve pára o país
Em 30 dos 32 departamentos territoriais da Colômbia iniciou-se esta segunda-feira, 19, uma paralisação nacional por tempo indeterminado que engloba desde produtores agrícolas a professores, de mineiros a médicos e demais trabalhadores do sector da saúde.
Em causa está o domínio da economia e dos recursos do país pelo imperialismo
O movimento político e social que mobiliza para este protesto, designado «Marcha Patriótica», acusa o actual Governo colombiano de ter adoptado políticas que permitem limitar direitos, privatizar instituições públicas e vender recursos naturais a multinacionais estrangeiras.
Segundo a Prensa Latina, já a 22 de Julho numa manifestação realizada em Neiva, Huila, os representantes de diversas organizações oriundas de 21 departamentos, tinham conseguido mobilizar para esta causa a população indígena, os deslocados de guerra, os estudantes, aposentados e outros sectores da população, para além dos produtores agrícolas. Os manifestantes responsabilizaram o governo pelo aprofundamento da crise económica e por uma política agrícola que, em seu entender, promove a «estrangeirização da terra», entregando as propriedades às multinacionais e criando dificuldades de sobrevivência a pequenos proprietários e trabalhadores rurais.
O executivo colombiano, tem sido também acusado de implementar medidas com o propósito de «acabar com a produção nacional». A assinatura de Tratados de Livre Comércio (TLC) têm sido os principais alvos das críticas. Acrescem as dificuldades colocadas pelo governo de Bogotá à vida das populações, nomeadamente através de uma política de preços cujo resultado é o encarecimento dos produtos básicos e dos combustíveis.
Entretanto, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ordenou às forças policiais que agissem com «total contundência» contra quem bloquear estradas. Esta intervenção de Juan Manuel Santos foi entendida pelo movimento «Marcha Patriótica» como uma ameaça. O movimento responsabilizou o presidente e o ministro do Interior, Fernando Carrillo, bem como o director-geral da polícia Rodolfo Palomino, por eventuais violações dos direitos humanos na actuação das forças policiais.
FARC apoiam protesto
Em Havana, capital de Cuba, onde na segunda-feira foram retomadas as rondas negociais entre guerrilha e governo da Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) convocaram os órgãos de comunicação social para manifestarem o seu apoio ao protesto.
O chefe da equipa de negociadores das FARC-EP, Ivan Márquez, aproveitou ainda a ocasião para apelar à não criminalização do direito ao protesto por parte do governo colombiano, que habitualmente usa o mesmo tipo de argumentação para justificar a repressão: a identificação de qualquer expressão de insatisfação social e popular com a guerrilha, e, consequentemente, o seu tratamento violento.
Para as FARC-EP, a contestação revela também a insatisfação generalizada face aos TLC, os quais, acusam, não têm em conta a realidade económica e social do país sul-americano e a precária situação dos seus sectores produtivos.