Snowden pede asilo político à Rússia
O ex-consultor dos serviços de informação dos Estados Unidos, Edward Snowden, que denunciou os programas governamentais de vigilância e registos telefónicos e de comunicações da Internet de cidadãos americanos e de diplomatas e de governantes de países da União Europeia, entregou, esta terça-feira, a um representante do Serviço Federal de Emigração russo, um pedido de asilo temporário, anunciou o advogado russo e membro da Câmara Civil, Anatoli Kutcherena, pouco depois de se ter encontrado como refugiado norte-americano retido na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo, por ter o passaporte revogado pelas autoridades dos EUA.
A simples aceitação do pedido de asilo temporário dará a Snowden o direito a permanecer naquele país três meses, até que lhe seja dada resposta. Uma vez concedido, disporá de mais um ano de visto de residência, renovável. Snowden pretende depois viajar para a América Latina, para onde este escândalo de espionagem parece estender-se. Na semana passada, durante a cimeira do Mercosul, Uruguai, houve consenso dos líderes dos países participantes na condenação ao comportamento das autoridades de França, Portugal, Espanha e Itália, por terem impedido o avião que transportava o presidente boliviano, Evo Morales, de sobrevoar os seus espaços aéreos, por suspeitarem da presença de Snowden no voo. Mais do que essa ligação indirecta, a suspeita adensa-se já que o governo argentino denunciou que as contas do correio electrónico de mais de uma centena de figuras políticas do país teriam sido alvo de espionagem. Numa declaração final da cimeira, garantem que vão recorrer «às instâncias internacionais competentes para adopção de normas relativas à regulação da Internet» de forma a preservar a segurança das comunicações e a soberania dos estados.