Viva a greve geral!
Amanhã é dia de greve geral. É dia de afirmação e luta, de luta essencial, indeclinável e impreterível de todos os trabalhadores – operários, trabalhadores de serviços, administrativos, quadros técnicos e intelectuais, desempregados, reformados, pensionistas, com vínculo efectivo, precários ou a recibo verde, do sector público, privado e social, das micro, pequenas, médias e grandes empresas e locais de trabalho.
Dia de luta essencial, indeclinável e impreterível
É dia de todos e cada um, trabalhadores, democratas, comunistas, confrontarmos esta ofensiva brutal do grande capital, de exploração e ajuste de contas. É dia de defender e assumir os interesses e direitos fundamentais dos trabalhadores e do povo, direito ao salário digno e ao emprego com direitos, direitos laborais, sociais e humanos, à saúde, educação, cultura, segurança social, aos serviços públicos e funções sociais do Estado.
É dia de afirmar os interesses e desígnios de classe mais essenciais e decisivos – pôr fim a esta política e a este Governo, à política de direita e ao pacto de agressão, à exploração e empobrecimento, à destruição da economia, à abdicação e afundamento nacional.
É dia de lutar pelo povo e pela pátria, de afirmar a honra e consciência dos trabalhadores, dos explorados, espoliados e oprimidos, de deixar impresso na epopeia da emancipação da humanidade que, também em Portugal, é possível e urgente outro presente e um novo futuro, alicerçado nos valores de Abril, ferramenta de liberdade, democracia e progresso social, de independência e soberania, numa Europa e num mundo de paz e cooperação, de povos e nações livres e iguais.
Ocultar e mistificar
Quando se percorre os media dominantes e os «fazedores de opinião» – a hidra de muitas cabeças do «pensamento único» dos grandes senhores do dinheiro –, constata-se que «a greve geral não existe», não passa do rodapé das notícias, ou então, como conclui o inevitável professor Sousa, «vai ser grande, mas está banalizada».
Visam, todos eles, escamotear a verdade e a informação (compare-se com a promoção mediática de certas acções «inorgânicas»), visam ocultar a greve, menorizar a luta, reduzir a participação dos trabalhadores e o impacto dos seus efeitos.
Tentam criar o preconceito do «fracasso» e «inutilidade», procuram deslegitimar a luta e avançar para a sua criminalização – como na greve dos professores, que era «um direito» desde que não criasse dificuldades ao Governo – e como demonstram as ameaças, provocações e tentativas repressivas.
Visam fazer-nos acreditar que o futuro passa pelos números de circo de P. Portas, ou outros, pela arrogância de P. Coelho, pela conivência de Cavaco, pela «austeridade inteligente» e a «oposição» indigente de A. J. Seguro, ou pelo diktat da troika estrangeira.
Não! Daí não virá mais do que o regresso ao passado – índices de desenvolvimento humano e equidade social em regressão brutal, destruição da democracia económica, com a recuperação do poder e a ditadura do capital monopolista, destruição acelerada (em curso) da democracia social e cultural, ataque sem peias aos elementos mais avançados da democracia política, deriva antidemocrática, subversão da CRP e alienação da soberania.
Uma grande greve geral
A história comprovou a luta popular de massas como «único caminho para o derrube da ditadura fascista». Entre muitas outras, as grandes greves operárias dos meses anteriores ao 25 de Abril foram momentos formidáveis de mobilização, esclarecimento e luta, que abriram caminho à revolução antifascista.
Em democracia, a história (re)comprova as grandes lutas de massas como elemento determinante no combate por uma democracia avançada e na resistência contra a exploração e a política de direita. As greves gerais impediram ou retardaram aspectos da contra-ofensiva do capital financeiro, devastaram o apoio social e político dos seus governos e conduziram à sua demissão e derrota.
Este Governo vai enfrentar a quinta greve geral em dois anos e já ninguém duvida de que estas e outras grandes lutas populares de massas estão na origem do isolamento e da contestação que enfrenta, das suas dificuldades, contradições e desorientação e da sua derrota próxima.
Esta é uma grande greve geral dos trabalhadores portugueses, uma poderosa forma superior de luta, tão impreterível como a demissão do Governo, tão indeclinável como a urgência de uma política patriótica e de esquerda para Portugal.