No fundo, estão com medo!
À medida que nos aproximamos da greve geral que a CGTP-IN justamente convocou para 27 de Junho cresce o tom da ameaça e da provocação sobre a actividade sindical. Sinal de força? Antes pelo contrário. As declarações, comentários e iniciativas tomadas pelos centros de decisão do grande capital, onde se insere a actuação do Governo e dos partidos que o suportam, revelam o receio que têm da acção organizada e da força da luta dos trabalhadores e das suas organizações de classe.
A impetuosa luta de massas em curso está a conduzir ao crescente isolamento do Governo. Cada vez mais enfraquecido e temendo a sua efectiva derrota, o Governo PSD/CDS mostra os dentes face à combatividade dos que não aceitam o rumo de destruição que está a ser imposto. Prova disso foi a reacção à luta dos professores, usando os estudantes e as suas famílias como elementos de uma chantagem que tentou colocar o povo português contra esta classe profissional e contra o direito à greve. Mas o Governo foi derrotado com a adesão massiva à greve às avaliações, à manifestação de 15 de Junho e à enorme greve do passado dia 17.
Tudo visa a crescente intimidação e questionamento do papel dos sindicatos. Desde a ameaça de alterar a Lei da greve avançada pelo primeiro-ministro, passando pelo carrossel de comentadores que – reconhecendo sempre o direito à greve desde que não seja exercido – vociferaram contra as lutas em curso, até à provocação lançada primeiro pela RTP numa peça execrável sobre o «pagamento» pelo Estado do salário dos dirigentes sindicais da administração pública, e secundada depois por uma iniciativa legislativa de deputados do PSD sobre o mesmo assunto. A política de exploração e empobrecimento não aceita, nem suporta, a resistência, a luta, as greves, os sindicatos, a liberdade, a democracia.
A possibilidade objectiva de fazer cair este Governo e de impor uma ruptura com a política de direita leva a que vão ganhando forma muitas das concepções e práticas reaccionárias e fascizantes que a Revolução de Abril derrotou. Mas faz também com que a classe operária e o conjunto dos trabalhadores, o povo português, tomem ainda maior consciência de que o seu futuro, e o futuro do País, está efectivamente nas suas mãos.