POR UMA FORTE GREVE GERAL

«A pre­pa­ração da greve geral é, daqui até ao dia 27, a ta­refa fun­da­mental»

Os úl­timos dias fi­caram mar­cados pela im­pres­si­o­nante luta dos pro­fes­sores em de­fesa dos seus di­reitos e da Es­cola Pú­blica de qua­li­dade e para todos.

A ma­ni­fes­tação de sá­bado pas­sado com uma par­ti­ci­pação mas­siva e cheia de força e com­ba­ti­vi­dade e a ex­tra­or­di­nária e sig­ni­fi­ca­tiva adesão à greve de se­gunda-feira, ao mesmo tempo que con­firmam a grande de­ter­mi­nação, dis­po­ni­bi­li­dade de luta e co­ragem dos pro­fes­sores, cons­ti­tuem mo­mentos mar­cantes da luta contra a po­lí­tica de di­reita e contra o Go­verno que, na apli­cação dessa po­lí­tica, leva por di­ante uma au­tên­tica cru­zada de de­vas­tação de di­reitos e in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo.

O Mi­nis­tério da Edu­cação – ou seja, o Go­verno de Passos Co­elho/​Paulo Portas – fez tudo para im­pedir o êxito da luta dos pro­fes­sores. As­su­mindo a ar­ro­gante pos­tura do quero, posso e mando, não he­sitou em re­correr a um des­bra­gado vale-tudo – com in­tenso fedor ao an­ti­ga­mente, ao tempo que «em Abril, Abril venceu» des­do­brando-se em ile­ga­li­dades, ar­bi­tra­ri­e­dades, pro­vo­ca­ções, men­tiras, in­sultos, hi­po­cri­sias, ame­aças. Tudo isto num pro­cesso que contou com os ha­bi­tuais «co­men­ta­dores» e «ana­listas» de ser­viço, os quais acom­pa­nharam os seus ata­ques odi­entos aos pro­fes­sores e a di­ri­gentes sin­di­cais da classe, com a hi­pó­crita afir­mação de que «a greve é um di­reito»…logo acres­cen­tando tratar-se de um di­reito legal, sim, mas… para não exercer… Assim fa­zendo uma lei­tura da lei que traz à me­mória a que fazia Sa­lazar do cé­lebre ar­tigo 8.º da Cons­ti­tuição fas­cista, o tal que pro­cla­mava «a li­ber­dade de ex­pressão de pen­sa­mento sob qual­quer forma»…

Mas o que conta é isto: os pro­fes­sores, er­guendo um sig­ni­fi­ca­tivo con­junto de po­de­rosas ac­ções de luta, fa­zendo uma das mais fortes e ex­pres­sivas greves de do­centes até agora re­a­li­zadas em Por­tugal, deram a res­posta que se im­punha a essa vaga cau­da­losa de atro­pelos e in­sultos à le­ga­li­dade e à in­te­li­gência. E afir­maram, con­victos, que a luta con­tinua.

De hoje a uma se­mana, é dia de greve geral – dia grande para as massas tra­ba­lha­doras.

Trata-se de uma greve geral que é ne­ces­sário – e é pos­sível que se tra­duza numa muito po­de­rosa jor­nada de luta dos tra­ba­lha­dores por­tu­gueses e de todos os que so­frem na pele as con­sequên­cias bru­tais da po­lí­tica de di­reita.

Uma greve geral que tem o seu es­paço pri­meiro e pri­mor­dial de con­cre­ti­zação no in­te­rior das em­presas e lo­cais de tra­balho, tanto do sector pri­vado, como do sector em­pre­sa­rial do Es­tado e da Ad­mi­nis­tração Pú­blica.

Uma greve geral que de­verá as­sumir, no pró­prio dia, sig­ni­fi­ca­tiva ex­pressão de rua através de grandes ac­ções de massas que con­gre­guem todos os des­con­ten­ta­mentos, pro­testos e exi­gên­cias, e juntem numa luta comum os tra­ba­lha­dores em greve, os de­sem­pre­gados, os re­for­mados e pen­si­o­nistas, os jo­vens, as mu­lheres, a po­pu­lação em geral, todos os fla­ge­lados da po­lí­tica das troikas.

Uma greve geral que pode vir a de­sem­pe­nhar um papel de­ci­sivo para a con­cre­ti­zação do ob­jec­tivo de pôr fim à po­lí­tica an­ti­pa­trió­tica e de di­reita ao ser­viço dos in­te­resses do grande ca­pital na­ci­onal e trans­na­ci­onal, e dar início à cons­trução de uma po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda, ao ser­viço dos in­te­resses dos tra­ba­lha­dores, do povo e do País.

Uma greve geral que, por tudo isso, exige um in­tenso e per­se­ve­rante tra­balho de pre­pa­ração, com uma acção de es­cla­re­ci­mento e de di­vul­gação que chegue a todo o lado e ganhe para a par­ti­ci­pação os seg­mentos mais he­si­tantes das massas tra­ba­lha­doras – uma acção de es­cla­re­ci­mento e di­vul­gação que der­rube o es­pesso muro de si­len­ci­a­mento er­guido pela co­mu­ni­cação so­cial do­mi­nante em torno desta im­por­tante jor­nada de luta.

Em re­sumo: a pre­pa­ração da greve geral é, daqui até ao dia 27 (o pró­prio dia in­cluído), a ta­refa fun­da­mental, pri­o­ri­tária – pode mesmo dizer-se: ex­clu­siva dos di­ri­gentes e ac­ti­vistas sin­di­cais e de todos os que, como os mi­li­tantes co­mu­nistas, têm a cons­ci­ência da im­por­tância e do sig­ni­fi­cado desta jor­nada de luta.

Nunca é de­mais su­bli­nhar a quan­ti­dade e a qua­li­dade da in­ter­venção do co­lec­tivo par­ti­dário co­mu­nista.

Quer dando o seu pre­cioso con­tri­buto para o de­sen­vol­vi­mento da luta de massas, no plano uni­tário; quer le­vando por di­ante as suas pró­prias ini­ci­a­tivas, in­te­grando-as sempre nos ob­jec­tivos da luta geral dos tra­ba­lha­dores; quer pros­se­guindo de forma sis­te­má­tica a apli­cação das ori­en­ta­ções de­fi­nidas pelo XIX Con­gresso em ma­téria, de­sig­na­da­mente, de re­forço do Par­tido; quer dando início a todo o com­plexo e tra­ba­lhoso – mas sempre fas­ci­nante pro­cesso que é a cons­trução da Festa do Avante!; quer in­ter­vindo nas ins­ti­tui­ções e aí afir­mando e de­fen­dendo as po­si­ções e as pro­postas do Par­tido; quer dando ex­pressão con­creta ao vasto pro­grama das co­me­mo­ra­ções do Cen­te­nário do ca­ma­rada Álvaro Cu­nhal – os mi­li­tantes co­mu­nistas con­firmam todos os dias a su­pe­ri­o­ri­dade e a sin­gu­la­ri­dade, no quadro par­ti­dário na­ci­onal, da sua mi­li­tância. Mi­li­tância feita de uma ele­vada cons­ci­ência po­lí­tica, ide­o­ló­gica e de classe; mi­li­tância evi­den­ci­a­dora de uma de­di­cação e de uma en­trega to­tais, só pos­sí­veis em ho­mens, mu­lheres e jo­vens por­ta­dores do mais belo de todos os ideais o ideal co­mu­nista – e que, fa­zendo dele a sua fonte de força es­sen­cial, não de­sistem de lutar por um mundo mais justo, mais livre, mais pa­cí­fico, mais hu­mano – um mundo que, como todos os co­mu­nistas sabem e o ca­ma­rada Je­ró­nimo de Sousa acen­tuou, na sessão co­me­mo­ra­tiva do Cen­te­nário, em Beja, «não acon­tece: cons­trói-se e con­quista-se» «como se ex­trai do exemplo de vida de Álvaro Cu­nhal».