Eleições na Venezuela

EUA insistem na ingerência

Nicolás Maduro apelou a Obama para que impeça um atentado contra o candidato da oposição Henrique Capriles, operação que estará a ser preparada pelos EUA para desestabilizar o país.

O ódio imperialista à revolução bolivariana não regateia meios

Em declarações ao canal de televisão Televen, o presidente interino da Venezuela acusou os representantes diplomáticos dos EUA, Otto Reich e Roger Noriega, bem como a CIA e o Pentágono, de estarem por detrás de um plano de desestabilização do país, o qual teria num suposto atentado contra a principal figura eleitoral da oposição um ponto nodal. O objectivo seria provocar o caos e culpabilizar o governo da República Bolivariana, por isso Maduro garantiu que a protecção de Henrique Capriles merecerá particular atenção por parte das autoridades, o que, aliás, já aconteceu aquando da entrega do processo de candidatura deste junto da autoridade eleitoral.

Uma operação do género promovida pelo imperialismo e por sectores da direita venezuelana ganhou força depois de Capriles ter publicado numa rede social uma mensagem na qual incrimina Maduro «por qualquer coisa que aconteça», e após terem sido desvendados incitamentos golpistas anteriores feitos por altos funcionários dos EUA a patentes militares venezuelanas.

Washington negou prontamente as acusações, e Reich e Noriega qualificaram-nas de «absurdas» e «idiotas», mas a verdade é que o ódio imperialista à revolução bolivariana não regateia meios. Dias antes da morte Hugo Chávez, documentos divulgados pelo WikiLeaks provam que os EUA tentaram derrubar o presidente através de uma revolta estudantil manipulada. Para isso, tinham em duas empresas norte-americanas a funcionarem na Venezuela, a Stratfor e a Canvas, ambas ligada aos serviços secretos norte-americanos, importantes pontos de apoio, adianta-se.

O modelo seria o usado na Sérvia para derrubar Slobodan Milosevic e pressupunha a união dos sectores anti-bolivarianos, razão pela qual vários protagonistas foram chamados a reuniões de trabalho, caso de Caprilles, que, já de acordo com Maduro, terá andado numa roda viva em encontros com banqueiros, em Miami, e paramiliatres, na Colômbia.

Entretanto, Roberta Jacobson, porta-voz do Departamento de Estado para a América Latina, veio considerar o processo eleitoral na Venezuela pouco transparente, afirmações que mereceram pronta resposta por parte do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), para quem o sistema cumpre os mais elevados padrões, como aliás atestou o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, nas últimas presidenciais, realizadas a 7 de Outubro.

Também o Partido Comunista da Venezuela considerou as declarações de Jacobson ao El País como uma «ingerência grosseira contra o CNE, o nosso país e o nosso povo», e alertou para a preparação de uma operação de intoxicação da opinião pública depois de divulgados os resultados do sufrágio de 14 de Abril.

No terreno, Capriles já actua como se estivesse em campanha eleitoral, desrespeitando abertamente o período previsto para entre 2 e 11 de Abril, e fazendo da calúnia e da ofensa argumentos políticos. Em resposta, os sectores bolivarianos arrancaram com a organização das comissões eleitorais de base territorial e por local de trabalho. Nicolás Maduro apela aos jovens para que integrem o desafio de construção do socialismo e promovam a paz, sublinhando, deste modo, o objectivo estratégico do projecto político que defende e a necessidade de manter a serenidade e a determinação até à sua eleição.



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