Transportes e comunicações persistem na luta

A crescer para dia 9

A semana de lutas nas empresas de transportes e comunicações foi marcada para Março, para culminar numa manifestação nacional, dia 9. A mobilização coincide já com algumas greves.

O Governo deu o exemplo e a lei, e os privados aproveitaram

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Representantes de três dezenas de organizações representativas, bem como vários trabalhadores e reformados de empresas do sector de transportes e comunicações, no encontro que dia 6 encheu o Salão de Jogos da Casa do Alentejo, em Lisboa, decidiram conjugar esforços na luta contra o roubo de salários e direitos e contra o ataque à contratação colectiva, nas empresas públicas e também em transportadoras privadas.
Os sindicatos da Fectrans/CGTP-IN, tal como estruturas da UGT ou sem filiação em confederações, e ainda as comissões de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, da CP, da CP Carga, da Refer, da EMEF da Vimeca e da TAP resolveram marcar, para a primeira semana de Março, acções de luta, em termos que iriam ser definidos em cada empresa.
Para dia 9, sábado, às 14.30 horas, na Praça Luís de Camões, em Lisboa, ficou marcada uma manifestação nacional de trabalhadores no activo e reformados e suas famílias, em direcção à Assembleia da República.

Algumas acções da semana de luta foram já divulgadas ou estão em curso.

Na Rodoviária do Tejo, começa hoje uma série de paralisações, entre as 3 e as 10 horas, diariamente, até dia 6, quarta-feira.

No dia 4, os trabalhadores da TAP vão ao Ministério da Economia, entregar ao ministro «um bilhete só de ida para Toronto», para assim expressarem o seu descontentamento em relação à política do Governo para os transportes. O coordenador da Comissão de Trabalhadores da TAP explicou segunda-feira à Lusa que o bilhete estará representado numa faixa com mais de três metros. Vítor Baeta reafirmou a solidariedade da CT com todas as formas de luta que os oito sindicatos representativos dos trabalhadores da TAP venham a decidir, para contestar os cortes nos salários, aplicados, pela primeira vez, nos salários deste mês.

Na Tracar (mercadorias), foi marcada uma greve de 48 horas, com início às 21 horas de dia 5 (até às 21 horas de dia 7).

Na STCP, foi convocada uma paralisação, entre as 8 e as 16 horas do dia 5, com realização de plenários; mas nesta segunda-feira começou já uma greve ao trabalho extraordinário, que se prolonga até amanhã.

Um plenário frente às instalações da administração do Metropolitano de Lisboa está convocado para dia 5, às 10 horas. No dia 16 de Fevereiro, os trabalhadores reuniram-se junto à sede da empresa e desfilaram pela Avenida Fontes Pereira Melo, até às instalações do Metro na Avenida Sidónio Pais. Num plenário onde também interveio o deputado comunista Bruno Dias, os trabalhadores aprovaram a continuação da luta.

Ainda no dia 5, vão realizar-se plenários de trabalhadores dos CTT em todos os distritos e, para dia 6, estão previstas acções contra a privatização da empresa.

Na Scotturb, a paralisação foi convocada para todo o dia 6, reclamando dos donos e da administração negociações para melhorar o «aumento» de 33 cêntimos por dia, imposto por acto de gestão e para dois anos. Na Vimeca, que tem a mesma gerência, está marcado um plenário para dia 4, à noite e fora da empresa.

No dia 6, paralisam os trabalhadores da CP e da CP Carga. O pessoal da Refer faz greve no dia 7.

Na Carris, o Sitra (que também esteve representado na reunião de 6 de Fevereiro) recusou sem alternativa uma proposta do STRUP para um plenário geral, integrado nesta semana de luta, o que levou o sindicato da Fectrans/CGTP-IN a avançar para a marcação de um plenário de trabalhadores e reformados, na Praça Luís de Camões, às 10 horas do dia 7, quinta-feira.

Nos Transportes Sul do Tejo, foi convocada greve para todo o dia 8 de Março, com plenários às 10.30 horas. Num plenário realizado dia 14, durante uma greve que teve 75 por cento de adesão global, foi ainda decidido fazer greve ao trabalho em dias feriados, até ao final de Abril.

Na Rodoviária de Lisboa, os trabalhadores vão parar no dia 8, entre as 3 e as 14 horas, e reúnem-se em plenário às 10 horas, junto à administração.

 

Multados ou castigados

Três trabalhadores da Vimeca Transportes, empresa do Grupo Imorey, foram autuados pela PSP no dia 18, sujeitos a multas superiores a 600 euros, porque a gerência entende que, no serviço para o Jumbo de Alfragide e o Centro Comercial Alegro, não é necessário cartão de motorista no tacógrafo digital dos autocarros, quando o IMTT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres) diz o contrário. Os trabalhadores, como denunciou o STRUP, ficam numa situação muito fragilizada, já que são coagidos pela empresa a fazerem um trabalho em que são multados.
Um motorista, dirigente sindical, apresentou à empresa a multa passada no dia 18, recusou-se a fazer aquele serviço e exigiu ser colocado nas carreiras regulares, mas o pedido não foi atendido e a empresa ameaçou-o com um processo disciplinar.
Os deputados comunistas Miguel Tiago e Bruno Dias (que esteve dia 19 no local, com os trabalhadores) dirigiram uma pergunta ao Governo, sobre este caso, ainda na segunda-feira. Os motoristas, salientam no documento, são colocados perante duas opções: ou processos de contraordenação e coima do IMTT, ou processos disciplinares da empresa. Mas os deputados do PCP recordam ainda que a situação tem contornos ainda mais graves, porque, como já denunciaram em anteriores perguntas ao Governo, a Vimeca utiliza estes serviços como represália ou «punição» aos trabalhadores, uma vez que, não havendo cobrança de bilhetes, os motoristas perdem o subsídio de agente único, que representa 25 por cento do salário-base.
No dia 20, o sindicato promoveu a distribuição de um comunicado aos clientes do Alegro, relatando o caso e chamando a atenção para o facto de que a Vimeca possui motoristas habilitados para conduzir aqueles três autocarros, mas insiste em entregar o serviço a profissionais que estão habilitados a conduzir toda a restante frota, mas não os carros ao serviço do centro comercial (nas restantes carreiras, o cartão digital de motorista não é necessário).




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