Presos políticos não estão sós
Milhares de pessoas têm participado nos protestos de solidariedade para com os presos políticos palestinianos detidos em Israel. Quatro mantêm uma greve de fome há longo tempo contra a arbitrariedade e as condições de reclusão.
A chamada «detenção administrativa» permite encarceramentos indefinidos
As movimentações de massas voltaram a ser particularmente expressivas, segunda-feira, na Cisjordânia. Em Hebron, no Sul, e em Nablus, no Norte do território, as marchas de apoio à luta protagonizada por Samer Issaui, Jaafar Ezzeddine, Aymane Charawneh e Tariq Qaadane, acabaram em confrontos com as forças ocupantes de Israel, que dispersaram as multidões com recurso a balas de borracha e granadas de gás lacrimogéneo. A repressão estendeu-se a Belém e Ramalah, adianta a RT.
Familiares de Samer Issaui, por seu lado, informaram a AFP que as forças sionistas prenderam o irmão daquele preso político palestiniano na sua residência, em Jerusalém Leste, operação de contornos provocatórios que incendeia ainda mais a revolta expressa nos últimos dias pelo povo palestiniano contra a arbitrariedade sionista. A meio da semana passada, as tropas israelitas já haviam feito 10 prisioneiros na zona ocupada de Jerusalém.
Dois dos palestinianos em greve de fome encontram-se detidos desde Novembro de 2012. Os outros dois já haviam cumprido longas penas nos cárceres israelitas, para onde voltaram aproximadamente um ano depois de terem sido libertados ao abrigo de uma troca de prisioneiros entre Israel e as forças independentistas palestinianas.
Apesar do período da chamada «detenção administrativa» expirar amanhã, 22 de Fevereiro, os quatro grevistas podem ser mantidos em cativeiro indefinidamente e sem acusação formal, bastando para tal que autoridades de Israel decretem a necessidade de defesa da segurança nacional, o que, na prática, se traduz na aplicação, nos nossos dias, do mesmo receituário inscrito nas famigeradas «medidas de segurança», impostas pelo fascismo em Portugal aos presos políticos com o objectivo de deixar a apodrecer na cadeia os mais destacados combatentes da ditadura.
Os protestos realizados pelos palestinianos por estes dias enfrentaram invariavelmente a repressão israelita. Entre quinta-feira e domingo, na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, sucederam-se as iniciativas de contestação à arbitrariedade e pela libertação de milhares de compatriotas, à negação de direitos elementares, entre os quais o recebimento de visitas ou assistência médica, e às degradantes condições de encarceramento dos palestinianos. Cerca de duas centenas de pessoas tiveram que receber assistência médica.
Um responsável pelos serviços prisionais israelitas veio, por seu lado, afirmar que os quatro grevistas, e por acréscimo outros presos que realizam jornadas de jejum de forma intermitente, «até se encontram bem», afirmação que contraria os relatos de organizações não-governamentais, segundo as quais o estado dos grevistas tem vindo a deteriorar-se, especialmente o de Samer Issaui, em privação há cerca de 200 dias.