A foto falsa de Chavéz

Ângelo Alves

No passado dia 24 de Janeiro o diário espanhol El País publicou uma fotografia de primeira página com um paciente entubado numa cama de hospital. A legenda que acompanhava a fotografia afirmava ser aquela a imagem do «Presidente Hugo Chavéz durante o tratamento médico recebido em Cuba».

Foram precisos apenas 30 minutos para que se descobrisse que a fotografia publicada era falsa. Tratava-se de uma imagem retirada de um vídeo publicado no YouTube em 2008 em que ocorria uma intubação de um paciente com Acromegalia – uma doença provocada pela disfunção da produção da hormona do crescimento. O diário Espanhol invocou que a fotografia lhe tinha sido fornecida «por uma agência informativa» latino-americana e que não tinha sido possível averiguar da sua autenticidade.

Muitos dizem que o El País confundiu desejos com realidades. Nada mais errado. Um diário como o El País não decide publicar uma foto não verificada apenas pelo desejo (real) de ver Chavéz morto. A decisão é política. É a mesma decisão que levou este e outros jornais a publicarem inúmeras notícias sobre a morte de Fidel Castro, que recentemente afirmaram que Chavéz já estava morto cerebralmente e que mataram várias vezes Arafat antes dele ser envenenado pela Mossad. São esses os mesmos jornais que ocultam sistematicamente as informações do governo bolivariano sobre a evolução positiva do presidente Chavéz ou que escondem as denúncias do governo venezuelano sobre possíveis atentados à vida do vice-presidente venezuelano ou do presidente da Assembleia do Poder Popular. São esses os mesmos jornais que reproduziram as mentiras sobre as armas de destruição massiva no Iraque, que de um momento para o outro diabolizaram Kadhafi para sustentar a guerra na Líbia, que actualmente conduzem a campanha ideológica que sustenta a guerra em curso na Síria ou que reproduzem ciclicamente peças tão ridículas como criminosas sobre a «ditadura» em Cuba (como fez há poucos dias a TVI). Estes «erros» não acontecem por acaso. São preparados e estudados, e o de Chavéz tinha por objectivo abrir campo à desestabilização. Saiu-lhes o tiro pela culatra!



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