Solução final?
Taro Aso é o nome do ministro das Finanças do governo japonês.
Há dias, no cumprimento da sua tarefa – que é a tarefa de todos os ministros de todos os governos do mundo capitalista – manifestou preocupações com os idosos do seu país. Melhor dizendo: com a saúde dos japoneses idosos. Dizendo com mais rigor: com os custos dos cuidados de saúde dos japoneses idosos.
Registe-se esta preocupação generalizada dos governantes das políticas de direita com a saúde dos seus governados idosos: no Japão é o Macedo, em Portugal é o Aso, ou vice-versa, para o caso tanto faz, o nome é o que menos importa, o que importa é… a preocupação. E o sentido da dita, é claro. Sentido único, uniforme e, sobretudo, devastador, aliás extensivo a todas as camadas etárias da população. Da população trabalhadora, entendamo-nos.
Mas voltando ao Japão: acha o Taro que os custos com a saúde dos idosos são incomportáveis. E acha o Aso que tais custos, porque incomportáveis, são desnecessários (e lembro eu que coisas da mesma família já as ouvimos ao Taro Aso cá do burgo…). Assim sendo, acha o Taro Aso que aos idosos doentes «deveria ser permitido morrer rapidamente para aliviar a pesada carga financeira que representa o seu tratamento na economia japonesa».
O ministro não disse, ainda, como irá resolver esta sua preocupação. Cortando cerce as pensões e reformas de modo a que a fome extrema conduza à morte?: é uma saída – todavia talvez não tão rápida quanto o Taro deseja e o Aso anseia. Cortando, à espécie a extinguir, a assistência médica e o acesso a medicamentos?: como saída complementar, talvez…, mas, não esqueçamos, o Taro Aso quer matá-los já e rapidamente…
Bom, aguardemos – certos de que o capitalismo, com a sua larga e longa experiência na resolução de preocupações deste tipo, encontrará o caminho que melhor sirva a economia….
E o mais provável é que, mais dia menos dia, o Taro e o Aso acabem por optar pela saída para a qual a memória e a vontade visivelmente os empurram, ou seja, a solução final – essa sim uma solução rápida, especialmente se fizer uso dos velhos fornos crematórios.