Resistência determinada
No novo dia de greve, o governo grego fez intervir destacamentos de choque contra os trabalhadores do Metro, forçados a retomar o trabalho sob ameaça de despedimento e prisão.
Trabalhadores em luta contra a redução dos salários
Cerca de 300 agentes assaltaram, dia 25, o principal terminal do Metro, na localidade de Sépolia, nos arredores da capital, intimando os grevistas que aí se encontravam a suspender a paralisação. As instalações foram cercadas pela polícia que só deixou passar os trabalhadores munidos da ordem de requisição civil.
A mobilização coerciva foi decidida na véspera pelo governo de Antonis Samaras, que a justificou com o «grave prejuízo» que a paragem do metro causava à população e à economia do país.
O argumento não foi aceite pelos partidos da oposição que compararam os métodos coercivos aos tempos da ditadura.
Também os sindicatos lembraram que os 2500 grevistas abrangidos pela notificação de requisição civil «não são assassinos, mas apenas trabalhadores», que lutam legitimamente contra a brutal redução salarial que o governo lhes quer impor.
Com efeito, a greve foi iniciada, dia 17, após o governo ter apresentado um plano que visa criar um sistema salarial único para todo o sector administrativo e empresarial do Estado.
O pretexto é que algumas empresas públicas, caso do Metro, auferem salários muito superiores a outros sectores, de acordo com os respectivos acordos de empresa.
No metropolitano, segundo números divulgados pelo ministro do Desenvolvimento, Infra-estruturas e Transportes, Kostís Jatzidakis, o salário médio bruto oscilaria entre os 3083 os 4095 euros por mês, incluídas as horas extraordinárias e o trabalho nocturno.
Os sindicatos contestam a realidade destes números, notando que eles reflectem toda a escala salarial, desde os operários até aos quadros de direcção. Como salientou Antonis Stamatopoulos, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Metro, «há muita gente, como eu, que ganha 1300 euros por mês e passaria a ganhar 700».
Cortes brutais
Todavia, se é certo que o convénio colectivo do Metro estabelece uma tabela salarial mais elevada que noutras empresas do Ministério dos Transportes, tal é fruto de um convénio legitimamente negociado, que o governo pretende abolir unilateralmente.
Segundo os sindicatos, a nova tabela salarial implicará uma redução média de 25 por cento dos salários. Mas há segmentos profissionais, caso dos condutores, que perderão metade das suas remunerações actuais.
Já depois de um tribunal ter declarado a greve ilegal, por incumprimento dos serviços mínimos, o governo optou pelo recurso à força. Em resposta, todos os transportes públicos da capital, autocarros, tróleis e comboios urbanos paralisaram no dia 25.
Na empresa de transportes rodoviários, não abrangida pela requisição civil, os trabalhadores mantiveram a greve durante o fim-de-semana até anteontem, terça-feira, em solidariedade com os seus colegas do Metro. Para hoje, quinta-feira, os sindicatos marcaram uma greve de todos os transportes públicos da capital. O conflito está pois para durar.