Recomendações sobre turismo acessível

Olhos apenas para os cifrões

O Par­la­mento aprovou dois pro­jectos de re­so­lução da mai­oria PSD/​CDS-PP e do PS sobre o in­cre­mento de me­didas di­ri­gidas para o tu­rismo de pes­soas por­ta­doras de de­fi­ci­ência ou de mo­bi­li­dade re­du­zida.

O que à pri­meira vista le­varia a supor tratar-se de uma justa ini­ci­a­tiva des­ti­nada a pro­mover o acesso das pes­soas com de­fi­ci­ência ao lazer e à ocu­pação dos tempos li­vres, ra­pi­da­mente se des­va­nece para ficar à vista que afinal a pre­o­cu­pação é outra, não com a aces­si­bi­li­dade dos ci­da­dãos por­tu­gueses a esse di­reito mas sim com o seu po­ten­cial eco­nó­mico, de­sig­na­da­mente dos ci­da­dãos es­tran­geiros.

Foi esse sen­tido que o de­pu­tado co­mu­nista João Ramos des­cor­tinou nos dois di­plomas, o que em sua opi­nião re­vela não uma pre­o­cu­pação pelas pes­soas com de­fi­ci­ência e seus di­reitos mas com o que estas podem sig­ni­ficar en­quanto de nicho de mer­cado com valor eco­nó­mico.

«Mas como pode o País as­pirar a atrair tu­ristas com de­fi­ci­ência quando tem um nível de aces­si­bi­li­dade aos ser­viços pú­blicos mi­se­rável, um nível de aces­si­bi­li­dade a mo­nu­mentos e mu­seus com­pa­tível com o seu de­gra­dante es­tado de con­ser­vação?», per­guntou João Ramos, antes de fazer notar, por outra parte, que em Por­tugal as pes­soas com de­fi­ci­ência «estão entre as mais po­bres e mais des­pro­te­gidas», sem falar no facto de se en­con­trarem entre os ci­da­dãos mais dis­cri­mi­nados.

O de­pu­tado do PCP con­testou ainda que estes di­plomas sejam um con­tri­buto para su­perar as di­fi­cul­dades da sa­zo­na­li­dade tu­rís­tica, como de­fendem no seu texto o PSD e o CDS-PP. É que ao acabar com fe­ri­ados, di­a­bo­lizar as «pontes» apre­sen­tando-as como um dos grandes males do País, re­duzir sa­lá­rios e dias de fé­rias dos tra­ba­lha­dores o Go­verno veio dar «uma forma ma­cha­dada» nas fé­rias re­par­tidas», como as­si­nalou João Ramos, que lem­brou terem sido essas fé­rias que du­rante anos foram pro­mo­vidas «pre­ci­sa­mente para com­bater a sa­zo­na­li­dade».

 



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