UM PARTIDO DIFERENTE
«É essa política que é imperioso derrotar, é esse pacto que é urgente rejeitar»
Com o mês de Julho chegou o tempo de férias. Tempo, também, dizem os jornais, de pausa na actividade partidária – na actividade de todos os partidos, garantem, já que, segundo a estafada cassete a que usam recorrer, «os partidos são todos iguais»…
Mas não são: como muitas vezes temos dito e a realidade confirma, o PCP é diferente dos que são todos iguais… E é assim desde que nasceu, em 6 de Março de 1921, e desde logo marcou a diferença ao definir como seu objectivo supremo a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração – e assim tem sido, de então para cá e ao longo dos seus noventa e um anos de vida, na sua prática em todos os momentos, em todas as circunstâncias, em todas as situações.
Obviamente, é no conteúdo desse objectivo supremo – no ideal comunista – que está a raiz do que distingue o PCP de todos os outros partidos em todos os aspectos, e designadamente na militância partidária.
É assim que, em Julho, tempo de férias, as organizações prosseguem a sua acção visando o reforço do Partido e, nesse sentido, desenvolvem intensa actividade no recrutamento de novos militantes e na sua integração nas respectivas organizações. E registe-se que contam-se por várias centenas os camaradas recém-chegados, muitos deles jovens, e que assim vêm dar mais força e maior capacidade de intervenção ao grande colectivo partidário comunista.
É assim, também, que em Julho, tempo de férias, o Partido não pára nem abranda a sua actividade em todas as frentes.
Veja-se, a título de exemplo, as iniciativas levadas a cabo no último fim-de-semana: debates sobre os mais variados temas, cursos de formação, comícios, excursões, festas e convívios, envolvendo milhares de militantes e simpatizantes, por todo o País, de Lisboa ao Porto, a Coimbra, a Évora, a Setúbal, a Aveiro; de Portimão a Santiago do Cacém, a Ermesinde, a Guimarães, à Moita, à Damaia, a Ansião, a Vendas Novas, a Arraiolos – a que há que acrescentar o prosseguimento da realização das assembleias de organização, mais as jornadas de trabalho na construção da Festa do Avante!, mais a participação decisiva dos militantes comunistas na organização das lutas dos trabalhadores e das populações, tudo constituindo um conjunto de realizações e iniciativas partidárias que é mais – muito, muito mais! – do que a soma de todas as realizações e iniciativas de todos os outros partidos.
Trata-se da militância comunista a fazer a diferença, a confirmar, pela sua acção e pelo conteúdo da sua acção, a singularidade do PCP no panorama partidário nacional.
É claro que (quase) toda esta actividade é silenciada pelos média dominantes. O que, sendo eles propriedade do grande capital, não admira. Aliás, se assim não fosse como é que poderiam continuar a despejar a cassete que diz que «os partidos são todos iguais»?...
O reforço do Partido e da sua intervenção, sempre importante, é-o mais ainda no momento actual, em que trinta e seis anos de política de direita – o último dos quais sob o signo maléfico do brutal pacto de agressão – criaram uma situação insustentável para os trabalhadores, o povo e o País.
É nessa política de direita, praticada e apoiada pela troika nacional, e nesse sinistro pacto, assinado pelo PS, o PSD e o CDS às ordens da troika ocupante – e com os aplausos do Presidente da República – que se situam as razões do estado dramático em que se encontra o Pais.
Estamos perante uma política terrorista de facto, que atira todos os dias mais e mais trabalhadores para o desemprego; que rouba salários, pensões, reformas, subsídios; que impõe leis laborais escravizantes; que condena à morte o Serviço Nacional de Saúde; que faz da escola pública e do ensino de qualidade um alvo a abater; que investe furiosamente contra a segurança social, universal e solidária e os direitos que garante; que ataca o direito à habitação com uma lei de despejos que atirará para a rua milhares de famílias e de micro, pequenas e médias empresas; que dispara contra essa importante conquista de Abril que é o poder local democrático, estrangulando financeiramente as autarquias locais, roubando-lhes autonomia, liquidando freguesias; que destrói serviços públicos essenciais, encerrando repartições, estações de correio, conservatórias, embaixadas, serviços consulares; que atinge o direito à mobilidade e ao transporte das populações com o aumento brutal dos preços, a redução da oferta e a eliminação de carreiras e linhas, os elevados preços das portagens e a sua imposição nas SCUTs – que todos os dias desfere machadadas letais na democracia e na independência e na soberania nacionais.
É essa política que é imperioso derrotar, é esse pacto que é urgente rejeitar, e construir uma alternativa patriótica e de esquerda, que inicie a resolução dos muitos e graves problemas que pesam sobre a imensa maioria dos portugueses.
Para isso, como o PCP tem sublinhado, é indispensável o desenvolvimento e a intensificação da luta das massas trabalhadoras e populares, dando continuidade às significativas jornadas de luta que, por todo o País, milhares e milhares de portugueses têm vindo a levar por diante. Nessas lutas indispensáveis esteve, e estará no futuro, o PCP, ao lado dos explorados e contra os exploradores, organizando e mobilizando, vencendo obstáculos e abrindo perspectivas, desempenhando o seu papel histórico – e confirmando, todos os dias, inequivocamente, que é um partido diferente. E que os partidos não são todos iguais.