Agressões incompreensíveis
No passado dia 21, os moradores do Bairro de Santa Filomena, na Amadora, dirigiram-se, pacificamente, até à Câmara Municipal para entregar uma carta, dirigida ao presidente da autarquia, na qual se recusam ser tratados como «lixo», quando têm estado a receber notificações camarárias informando que as casas onde habitam vão ser demolidas. «Mal entrámos, foi incompreensivelmente chamada a polícia municipal que veio em massa», relataram ao Avante! os moradores, dando conta que, depois de terem tirado a senha, «estávamos à espera da nossa vez para entregar a carta». «À medida que assinámos a carta, fomos saindo do edifício, e a polícia, depois de ter feito um cordão policial, hostilizou os moradores», adiantaram, informando que um agente chegou mesmo a agredir violentamente uma pessoa que integra a Plataforma pelo Direito à Habitação. A polícia agrediu ainda um jornalista que estava a documentar a situação, tendo lhe retirado o cartão de memória que continha mais fotos e vídeos das agressões. Depois destes tristes incidentes, os populares manifestaram-se frente à Câmara Municipal.
Na carta, os moradores acusam a autarquia de fazer «tábua rasa» dos direitos sociais e humanos mais elementares, reconhecidos pela Constituição da República, ao oferecer «como alternativa» o viver na rua.