Cresce a instabilidade
O Colectivo Regional de Lisboa do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) esteve reunido no passado dia 28 de Abril, tendo alertado para as sucessivas e cada vez mais gravosas políticas de austeridade impostas pelo actual Governo, com a conivência do PS, que tem conduzido a região de Lisboa a «condições de grande precariedade, fragilidade e instabilidade». «Estas medidas têm levado ao encerramento e desmantelamento de serviços públicos fundamentais às populações, como é o caso da área da saúde e dos transportes», criticam os ecologistas, que defendem, em alternativa, «uma sociedade mais justa, desenvolvida, equilibrada e sustentável».
Naquela iniciativa, o PEV manifestou-se ainda contra a reforma administrativa do Poder Local que o Governo está a preparar, considerando-a «um verdadeiro programa de destruição de uma importante conquista de Abril».
«Esta proposta trará prejuízos às populações e às suas condições de vida e mostra um total desrespeito pelo passado, presente e futuro do valioso trabalho dos órgãos locais. Além disso, vai diminuir a participação dos cidadãos, vai eliminar a proximidade com os centros de decisão, e será um factor de agravamento das assimetrias regionais e de retrocesso da vida democrática local», refere o Partido Ecologista, que se opõe a esta reforma que «vai implicar mais sacrifícios e mais dificuldades para a vida das populações, através de uma gestão pública pouco clara e menos eficiente, sendo falsos e infundados os argumentos apresentados para justificar esta proposta».
Sobre «mobilidade» e «transportes», os ecologistas lembram que em Lisboa o sector dos transportes «tem sido alvo de claro desinvestimento por parte do Governo», com «os cortes nos passes sociais, nos passes escolares, com os aumentos brutais dos tarifários e com as supressões desmesuradas e encurtamentos das carreiras das várias empresas de transporte de carreiras que operam no distrito». «Esta situação», acrescentam, «tem contribuído para uma diminuição da qualidade do serviço prestado às populações com graves prejuízos para a região de Lisboa, acompanhados de despedimentos ou alegadas rescisões de mútuo acordo de funcionários das empresas».
Na reunião, o colectivo do PEV criticou, de igual forma, a «linha de destruição do Serviço Nacional de Saúde» seguida pelos sucessivos governos, dando como exemplo os «despedimentos em vários centros de saúde», o «encerramento das urgências no Hospital Curry Cabral» ou o facto de o novo Hospital de Loures «deixar de fora cerca de 100 mil utentes do concelho».
As críticas estenderam-se ainda ao encerramento da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC), reconhecida e distinguida pela excelência na assistência médica perinatal e da saúde da mulher. «Não deixa de ser estranho que depois de o Estado ter investido milhões de euros em obras de melhoria das suas instalações, o Governo, desprezando todo o vasto serviço de excelência prestado e desaproveitando a formação, experiência, empenho e dedicação dos profissionais, anuncie a decisão de encerrar esta unidade», referem os ecologistas.
Por último, foi ainda debatida a XII Convenção do PEV, com o lema «Da indignação à Acção. Os Verdes, uma Força de Esperança, uma Força de Mudança», que se realiza nos dias 18 e 19 de Maio, no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa.