Banqueiros conspiradores

Pedro Campos

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Até agora todas as sondagens apontam para uma vitória clara das forças progressistas venezuelanas nas eleições presidenciais de 7 de Outubro. Todas excepto uma, que fala de um «empate técnico», uma porta aberta para que a oposição reaccionária possa gritar «fraude!» e contestar o resultado eleitoral.

A pergunta fundamental que se coloca de caras às eleições presidenciais é se a oposição reconhecerá pacificamente uma nova vitória revolucionária e um novo ciclo presidencial de Hugo Chávez. A história recente não é de molde a deixar-nos tranquilos. Esta é a mesma oposição que ainda não reconheceu a sua derrota no referendo revogatório de 2004, que foi ganho por Hugo Chávez com quase 60% dos votos. E agora ainda ninguém da oposição fez declarações no sentido de que o resultado será aceite.

Entretanto, as águas agitam-se.

Numa intervenção pública recente o presidente venezuelano alertou para os planos violentos da direita. Alertou e avisou que a oposição pró-imperialista tratará de criar violência porque já se sente derrotada (até se fala à boca fechada na possibilidade de mudar de candidato). Hugo Chávez recomendou: «Não enlouqueçam, vocês (a oposição) têm os seus deputados, câmaras e governadores. É preciso respeitar as regras do jogo. É a democracia. Aqui não vai haver nenhuma fraude.» E foi ainda mais claro: «O mais provável é que esses dirigentes da oposição que não crêem na democracia, não reconheçam o nosso triunfo» e que por isso falem de «empate técnico» e tratem de conseguir apoio dos Estados Unidos para defender a tese da «fraude». Dirigiu-se igualmente aos banqueiros que financiam grupos interessados em gerar caos: «Uma coisa é que apoiem movimentos democráticos e outra coisa é que apoiem com o seu dinheiro movimentos desestabilizadores».

Um dos bancos que está visivelmente activo na (pré) campanha eleitoral é o Banesco, cujo dono passou quase vertiginosamente de obscuro corretor de bolsa a proprietário de um dos mais importantes do país... em boa parte na intermediação financeira com dinheiro que pertence a entidades governamentais. Há poucas semanas organizou um «seminário» internacional aparentemente inocente no qual as estrelas foram Henrique Cardoso, Ricardo Lagos e Felipe González, ex-governantes do Brasil, Chile e Espanha. Num encontro descaradamente empolado pelos media da burguesia e que exibia o título significativo de «Palavras para a Venezuela», vieram «dar aulas» sobre os valores da democracia, da tolerância, do bom governo e um rosário de boas intenções que não praticaram enquanto governantes.

Tem algum destes «senhores» moral para pontificar sobre o exercício da democracia? Realmente o que caracteriza cada um deles, além de que são críticos constantes da revolução bolivariana e do seu líder, é a sua visão neoliberal do mundo, que traduziram na forma antipatriótica como hipotecaram os respectivos países à burguesia nacional, às multinacionais e a Washington.

Felipe González foi quem, em conivência com o seu amigalhaço Carlos Andrés Pérez – que mais tarde seria destituído por corrupção – participou na negociata que levou à falência de Viasa, a linha aérea da Venezuela. Foi o mesmo que abriu a Espanha às bases militares de Estados Unidos. No seu governo o desemprego chegou a 21,4% e reduziu as pensões em 5,1%. Durante quatro anos financiou os GAL, grupo de terrorismo de Estado.

Ricardo Lagos é mesmo um exemplo de «democrata», já que foi quem reconheceu apressadamente o governo de Carmona, produto do golpe de estado de 2001. Carmona, mais conhecido como O Breve, saltou por cima de todos os poderes constitucionais e auto proclamou-se presidente da República, mas foi corrido do poder em menos de 48 horas, tempo que lhe foi suficiente para mostrar claramente o material fascista de que é feito. Entre 2000 e 2006, Lgos submeteu o Chile às políticas devastadoras do FMI. Conseguiu aumentar escandalosamente a dívida pública chilena fazendo-a subir a 60% do produto bruto nacional. Outros dos seus «méritos» foi conseguir que a diferença de rendimentos entre os cinco por cento mais pobres e os cinco por cento mais ricos fosse de 209 vezes. Antes dele ter subido ao poder essa diferença era de 130 vezes!

Henrique Cardoso também tem de que se orgulhar. Aumentou o desemprego de seis a 10 por cento. No seu governo o Brasil limitou-se a crescer ao ritmo de um por cento e a sua posição de histerismo político frente a Lula levou-o a catalogar o futuro presidente como uma «ameaça para a pátria». A «ameaça» que fez descer a pobreza de 34% (anos de Cardoso) para 26%.

 



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