João Joaquim Machado
Tinha a idade do seu Partido de sempre (menos uns meses) e 70 anos de militância comunista. Morreu no dia 22, quando se travava uma importante batalha contra a exploração e as injustiças, como tantas que ele próprio travou. João Joaquim Machado – o Machadinho, como era tratado em Montemor-o-Novo – permanecerá como um exemplo de dedicação à causa da classe operária e dos trabalhadores, aos ideais e projecto do PCP.
Como recordou, no funeral, o membro do Comité Central João Pauzinho, responsável pela Organização Regional de Évora, João Machado era filho de pequenos agricultores, tendo começado a trabalhar na agricultura, com os pais e os irmãos mais velhos, com sete ou oito anos. Operário agrícola de profissão, ainda trabalhou durante cerca de três anos como operário dos caminhos-de-ferro e três anos como empregado de balcão numa pequena oficina de Montemor-o-Novo.
A sua formação política foi-se consolidando a partir da guerra civil de Espanha até que, em Agosto de 1943, com 22 anos, se filia no PCP. Dois anos depois participa nas jornadas de luta por melhores salários para os trabalhadores agrícolas e está entre os muitos presos dessas lutas. Permanece em Caxias cinco meses. A sua segunda prisão deu-se em 1947, na sequência das lutas dos operários agrícolas pelo direito ao trabalho, contra a fome e a miséria: entre o Aljube e Caxias, fica preso cerca de quatro meses. Em 1949 é preso pela terceira vez – durante dois anos e cinco meses – pela sua participação activa na campanha eleitoral de Norton de Matos.
João Machado voltaria a ser preso em 1958 quando integrava uma manifestação contra a burla eleitoral (ficando quatro meses em Caxias). Em 1961, quando organizava e participava nas jornadas de luta pelas oito horas de trabalho nos campos do Sul, a GNR tentou predê-lo, mas conseguiu fugir, passando um ano na clandestinidade. Acabaria por ser preso em 1962, tendo passado só desta vez seis anos entre o Aljube, Caxias e Peniche. Ao todo, contou com mais de um década de cativeiro.
Depois do 25 de Abril, tornou-se funcionário do Partido e «teve um papel importante na organização concelhia de Montemor-o-Novo e na Organização Regional de Évora». Foi um activo participante nas lutas pela democratização do País e pela «mais bela conquista de Abril, a Reforma Agrária», salientou João Pauzinho. Manteve uma imensa dedicação ao Partido até ao fim, vendendo o Avante! no concelho, montado na sua bicicleta. Para o membro do CC, o «João Machadinho pertenceu aquela geração de comunistas que pela sua dedicação e carácter são um exemplo para as lutas dos dias de hoje e nos vão deixar muita saudade». Também o presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, falou no funeral, lembrando o seu exemplo e a sua modéstia.
João Machadinho era, respectivamente, pai e avô de Margarida e Patrícia Machado, ambas do Comité Central do Partido.