O nosso problema com o ministro da Economia
O nosso problema com o ministro da Economia não são as zangas entre ministros, nem saber o quanto fraco é o elo que o une ao Governo. O nosso problema com o ministro da Economia não são ainda as baboseiras sobre pastéis de nata, nem a sua aterragem no Governo depois de anos a «ensinar» economia no Canadá. O nosso problema com o ministro da Economia – e do emprego!? – também não são as contradições entre os escritos publicados há uns meses e as opções concretas que defende no Governo, nem tão pouco as agora públicas disputas sobre a tutela dos cada vez mais parcos fundos comunitários
Não! O nosso problema com o ministro Álvaro Santos Pereira é outro. É, em primeiro lugar, a sua vassalagem ao grande capital. A sua política de exploração e empobrecimento, da lei da selva nas relações laborais, do roubo nos salários, do trabalho à borla, dos despedimentos fáceis e baratos. A sua política de privatizações de empresas estratégicas, de desmantelamento do transporte público, dos aumentos dos preços dos combustíveis, das portagens ou da electricidade.
O nosso problema com o ministro da Economia é a política de direita que por opção concretiza. Uma política que está a arrastar o País para o desastre, com mais de um milhão e duzentos mil desempregados, com mais de 40 mil empresas encerradas num ano, com uma recessão profunda que se prologará nos próximos tempos, ao mesmo tempo que transferem milhões de euros roubados aos trabalhadores e ao povo para os bancos, para o BPN, para os grupos monopolistas que cada vez mais controlam o País.
O nosso problema com o ministro da Economia é ainda o Governo a que ele pertence. É, aliás, o mesmo problema que os trabalhadores e o povo têm com todos os partidos – PS, PSD e CDS – que submeteram o País ao pacto de agressão, o mesmo problema que têm com o Presidente da República e a sua activa conivência e responsabilidade com a política de terrorismo social e económico que está em curso.
É, por tudo isto, um problema que não se resolve com a sua substituição. Com a habitual mudança de ministros, e até de governos, para garantir que, no essencial, a mesma política de serviço ao grande capital, continue. É um problema cuja solução não está nas mãos do primeiro-ministro, mas do povo e da sua luta que no dia 22 de Março será ainda maior.