QREN ou não QREN

Anabela Fino

QREN ou não QREN eis a questão que nos últimos dias dominou as atenções da opinião publicada, onde poucos resistiram à tentação de especular sobre a hipótese de o ministro Álvaro Santos Pereira estar em vias de bater com a porta do seu mega Ministério.

A bernarda terá eclodido no último Conselho de Ministros, com Santos Pereira e Vítor Gaspar a disputarem a tutela dos fundos do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), os quais era suposto estarem sob a alçada do Ministério da Economia. A alegada querela veio a público no jornal i graças a uma mosca que esvoaça entre S. Bento e as redacções dos jornais, presume-se – na ausência do primeiro-ministro, que se encontrava em Bruxelas. Confrontado mais tarde com a questão, Passos Coelho proferiu a frase assassina que ao invés de acalmar incendiou ainda mais os ânimos: «Cabe ao ministro das Finanças uma palavra muito relevante, para não dizer decisiva, sobre a forma como a reafectação [dos fundos] deve ser feita. Toda a execução continua, como é evidente, nas mãos dos ministérios setoriais e toda a coordenação dessa tarefa permanece nas mãos do Ministério da Economia».

Já Vítor Gaspar reduzia o assunto a uma frase lapidar: «A questão é uma falsa questão». Como quem diz, o creme do QREN é meu!

Ora a-questão-que-não-é-questão levou o ministro-que-tutela-mas-não-decide-o-destino-dos-fundos-da-discórdia a uma reunião de urgência com Passo Coelho, onde entrou mudo e saiu calado. Mais tarde, falaria de «cortinas de fumo» e «ruído mediático» enquanto louvava o trabalho do seu Ministério, ou seja aos costumes disse nada.

Quem não poupou nas palavras foram os comentadores de serviço, mais os barões do PSD/CDS receosos de uma crise política antes de tempo, e representantes do patronato – cada qual puxando a brasa à sua sardinha para ver quem fica com a maior fatia dos cerca de 2,5 mil milhões de euros do QREN.

Coube a Arménio Carlos, da CGTP-IN, dizer o óbvio: o problema de fundo não está na tutela, mas sim em garantir que as verbas vão para quem delas necessita – as micro e pequenas empresas – e que se põe fim «à pressão dos 'lobbies' que procuram favorecer as grandes empresas». Elementar. Ou não?



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