Ingerência provada
As forças armadas sírias apreenderam material de guerra de fabrico israelita e norte-americano durante as operações de combate aos terroristas que semeiam a violência no país. A denúncia surge após a capitulação do emirado islâmico instalado pelo denominado Exército Sírio Livre (ESL) em Baba Amr.
Em Baba Amr foram detidos 1500 insurrectos, a maioria estrangeiros
Entre os artefactos apreendidos nas províncias de Damasco, Hama e Idleb estão espingardas com mira telescópica, metralhadoras, lança-roquetes e granadas anti-tanque, aparelhos de visão nocturna ou munições, relata a agência Sana. A confiscação de armamento é consistente com as denúncias das autoridades de Damasco, secundadas por Moscovo, sobre o apoio que estados da região e potências estrangeiras têm dado ao denominado ESL.
Ainda na semana passada, o executivo liderado por Bashar al-Assad lembrou que o Qatar ou a Arábia Saudita têm apelado abertamente [na reunião dos amigos da Síria, realizada em Tunes, por exemplo] ao financiamento dos grupos armados, e que a Turquia alberga o chamado Conselho de Istambul, espécie de Estado-Maior do ESL, dirigido por Burhan Galioun, cidadão sírio residente há mais de 20 anos em França (SANA e Prensa Latina).
No mesmo sentido, a Rússia alertou, anteontem, que a infiltração de combatentes estrangeiros no país não promove qualquer solução pacífica.
De acordo com o Daily Telegraph, o ESL recebe armamento dos EUA e da França, e o canal Russia Today mostrou mesmo imagens de granadas de fabrico israelita nas mãos dos mercenários em Homs e Idleb.
No mesmo sentido, o Reseau Voltaire nota que, face à queda de Baba Amr, 35 conselheiros militares e jornalistas estrangeiros escaparam para o vizinho Líbano. O exército libanês, entretanto, diz ter capturado na fronteira dezenas de combatentes provenientes da Síria na posse de material de guerra.
Em Baba Amr, as forças regulares de Damasco afirmam igualmente ter capturado cerca de 1500 revoltosos, na sua maioria estrangeiros, entre os quais uma dezena de franceses, os quais se juntam, segundo a mesma fonte, a outros 19 agentes gauleses detidos na Síria durante o conflito.
Bairro recuperado
Em Baba Amr, repetem as autoridades sírias, regressa paulatinamente a tranquilidade. As informações veiculadas por Damasco contrariam os supostos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo na cidade de Homs, onde, acusa a Cruz Vermelha Internacional, ainda não há liberdade de movimentos.
«A vida tinha-se tornado num inferno [com a presença do Exército Sírio Livre]», escreve mesmo a agência Sana, que narra testemunhos das atrocidades cometidas pelos grupos armados, entre os quais execuções sumárias por recusa de apoio à insurreição, sequestros, ocupação de escolas e centros médicos, transformados em locais de tortura e bases militares.
A Cham Press acrescenta que os rebeldes obrigaram populares a participar em protestos, e a Syria News desmente, por exemplo, o caso de uma criança alegadamente morta às mãos das forças governamentais.
Pelo contrário, Mohammad al-Mustafa foi morto pelos terroristas a 23 de Fevereiro, afirma-se. Essa foi a represália por a sua mãe ter assinado um manifesto, junto com outras 33 mil pessoas, no qual se condenavam as acções violentas no país, contou a própria Nadia Abdul-Karim.
A incerteza sobre os factos e as versões discrepantes podem vir a ser aclaradas com a presença na Síria, a partir de Sábado, do ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, e da responsável pelas operações humanitárias das Nações Unidas, Valerie Amos, cuja missão foi saudada pelo executivo de Damasco.