Trabalhadores tunisinos em luta

Milhares de pessoas concentraram-se frente à sede da União Geral dos Trabalhadores Tunisinos (UGTT) para defenderem a liberdade de acção política e sindical e exigirem a demissão do governo. O protesto ocorreu sábado, dia 1, na capital, Tunes, depois de vários ataques contra sedes da UGTT, levados a cabo durante a última semana de Fevereiro.

De acordo com a Lusa, que cita informações difundidas pela AFP, os partidos Comunista dos Operários da Tunísia, Democrático Progressista e o movimento Ettajdid aderiram à iniciativa de rejeição da violência contra instalações da UGTT, acções que a controversa central sindical da Tunísia e os partidos referidos atribuem ao Ennahda, vencedor das recentes eleições realizadas no território.

Os manifestantes realizaram ainda uma marcha pacífica pelas ruas da capital, acção que terminou com violência após uma carga policial com recurso a gás lacrimogéneo.

No mesmo dia, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, encontrou-se com jovens tunisinos para discutir o progresso do país norte-africano. A reunião avolumou a onda de revolta entre as camadas esmagadas pelos monopolistas, que acusam o governo chefiado por Moncef Marzouki de trair o povo e manter o território na órbita do imperialismo.


Protestos contra a inércia

Desde o derrube da ditadura liderada por Ben Ali, em Janeiro do ano passado, os protestos laborais têm alastrado na Tunísia, em particular no Sul e Centro-Oeste do país, regiões historicamente discriminadas face às áreas costeiras, onde domina o turismo de massas e para onde muitos habitantes do interior são forçados a migrar em busca de sustento.

Na região mineira de Gafsa, a meio do mês passado, prosseguiam as reivindicações em defesa de emprego – 60 por cento da população activa está desempregada –, por melhores salários e implementação de direitos laborais, adianta a agência Inter Press.

Os protestos que eclodiram em Gafsa em 2008 são considerados percursores das revoltas que culminaram com o derrube da ditadura. Acções semelhantes, já em 2011, mantêm a população da região mobilizada em torno do que consideram ser os objectivos da revolução de jasmim, embora a UGTT nem sempre acompanhe as formas de luta, nomeadamente as mais contundentes como greves e paralisações de unidades fabris ou os bloqueios de estradas, alegando que estas contrariam a serenidade necessária para fazer nascer um novo país.

Em Janeiro, o governo provisório decretou mesmo o estado de emergência nas regiões de Gafsa e Siliana e reprimiu violentamente as populações, que ergueram barricadas em várias cidades e vilas para reivindicarem políticas concretas que combatam a miséria.



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