Comício em Faro

Dinamizar a resistência é papel dos comunistas

Jerónimo de Sousa esteve no Algarve no dia 24 a apelar aos trabalhadores e ao povo da região para que reforcem a sua luta contra o pacto de agressão.

Aderir ao PCP é uma forte resposta ao pacto de agressão

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Num comício que encheu por completo o salão da Coopofa, em Faro, o Secretário-geral do PCP dedicou grande parte da sua intervenção ao desemprego. O que não é de estranhar, já que o Algarve é a região do País com a mais elevada taxa de desemprego do País 17,5 por cento. Mas os comunistas acreditam que estes números não reflectem ainda a real dimensão do problema e estimam que a taxa de desemprego real possa rondar na região os 22 por cento, ou seja, perto de 50 mil trabalhadores.

Como lembrou Jerónimo de Sousa, «por detrás destes números estão os dramas pessoais de homens, mulheres e jovens, de um crescente número de famílias de trabalhadores que além de sofrerem as penosas consequências do desemprego, foram confrontados nos últimos tempos com medidas de redução do valor e do tempo do subsídio de desemprego, tornando ainda mais precária a sua vida». Trata-se, para o PCP, de uma «calamidade social que se avoluma com um crescente número de famílias atiradas para a pobreza e muitos milhares remetidos para o limiar dessa situação, enfrentando já agudas situações de privação».

O desemprego bem pode ser uma calamidade mas, para o Secretário-geral comunista, é tudo menos inevitável. A existência de um «volumoso exército de desempregados» tem, para o capitalismo, uma função: «pressionar para baixo os salários e alimentar o ciclo vicioso da exploração e da precariedade».

Jerónimo de Sousa aproveitou a ocasião para responder a Pedro Passos Coelho, que justificou o elevado desemprego com a suposta «rigidez» das leis laborais. «Basta um minuto de raciocínio para desmontar este argumento», afirmou o dirigente comunista, lembrando que «no início deste século o desemprego era muito menos de metade do que é hoje», pois foi aumentando à medida que se foi subvertendo a legislação laboral. A ideia de financiar empresas privadas para criar emprego também mereceu a crítica do dirigente do PCP: «Isto é brincar com os desempregados, é abusar dos dinheiros públicos, é facilitar mais alguns amigos de empresas de trabalho temporário.»

Chamando a atenção para os «grandes perigos e ameaças que pesam sobre os trabalhadores, o nosso povo e o próprio regime democrático de Abril», Jerónimo de Sousa garantiu que, nestes tempos, os comunistas «são chamados a redobrar o trabalho para cumprir o seu insubstituível papel ao lado dos trabalhadores e do povo, combatendo a exploração, as injustiças, as desigualdades, mas também a resignação, dinamizando a resistência e a luta».

 

Aderir ao PCP

 

Antes, Vasco Cardoso, da Comissão Política e responsável pela organização regional do Algarve, denunciou a «praga dos salários em atraso, essa prática criminosa que vai ganhando terreno com a completa conivência do Governo e a impunidade do patronato». Hotéis do grupo Carlos Saraiva, Hotel dos Navegadores, Hotel de Montechoro «são alguns dos exemplos de uma realidade que está longe de ser conhecida em toda a sua extensão», acrescentou.

Vasco Cardoso referiu ainda a generalização do trabalho precário e do trabalho sazonal, que atinge já dezenas de milhares de trabalhadores que recebem «três a quatro meses de salário num ano». Na mais pura ilegalidade estão ainda em curso milhares de processos a que eufemisticamente chamam de «rescisões por mútuo acordo», mas que mais não são do que despedimentos forçados, rematou o membro da Comissão Política.

Valorizando a intervenção dos comunistas em todas as lutas que se travam na região, Vasco Cardoso salientou que «de todas as muitas e exigentes tarefas que temos por diante, há uma que deverá merecer a nossa particular atenção: o recrutamento de novos militantes para o Partido». Em sua opinião, à pergunta «que fazer?» face à brutalidade do pacto de agressão «pode-se responder de muitas maneiras, mas a resposta fundamental é tomar a opção de ser membro do Partido Comunista Português».



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