Em defesa da Saúde
A luta irá continuar de todas as formas possíveis
Um protesto, promovido pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), para demonstrar que os portugueses, utentes do SNS, estão contra o encerramento de centros de Saúde e de urgências, contra a falta de enfermeiros e de médicos de família e de especialidade e contra os aumentos brutais das taxas moderadoras.
Na segunda-feira, naquela que foi a primeira de várias vigílias organizadas pela Comissão de Utentes de Saúde de Sintra, mais de duas dezenas de pessoas concentraram-se em frente ao Centro de Saúde de Belas para denunciar a falta de médicos de família no concelho. «Em Sintra, onde moram mais de 400 mil pessoas, há mais de 136 mil sem médico de família», recordou Paula Borges, informando que só naquele Centro de Saúde «estão inscritos 16 500 utentes, e 7500 não têm médico de família». Paula Borges criticou, de igual forma, as condições daquele equipamento, «um prédio de habitação adaptado a Centro de Saúde», que «não tem elevador» e quando as pessoas não conseguem subir as escadas têm «os médicos que descer e dar as consultas no hall de entrada».
Anteontem, os utentes de Sintra realizaram uma outra vigília no Centro de Saúde de Queluz que ficou marcada por uma «invasão» por aqueles que se encontravam há várias horas a aguardar a abertura dos serviços, uma vez que não têm médico de família.
Recorde-se que dos 30 mil inscritos, nove mil não têm médico de família. «Devido à nossa presença, as pessoas sentiram-se acompanhadas nas suas exigências e forçaram a entrada no Centro de Saúde porque não aceitam mais estar à espera ao frio», disse, também à Lusa, Paula Borges.
O conjunto de vigílias da Comissão de Utentes de Saúde de Sintra termina no dia 27 frente ao Hospital Amadora-Sintra.
«Não acabem com o SNS»
No sábado, em Beja, várias centenas de pessoas protestaram contra as medidas do Governo para a área da Saúde. A acção, promovida pela Saúde Plataforma, começou com uma concentração no Jardim do Bacalhau, onde os manifestantes empunharam bandeiras negras e cartazes e aprovaram um manifesto com as suas preocupações e reivindicações. Ali intervieram João Rocha, da Plataforma, Álvaro Nobre, da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), Edgar Costa, do Sindicatos os Enfermeiros, Valverde Martins, do MURPI (Movimento Unitário de Reformados, Pensionistas e Idosos), Paulo Conde, da Comissão de Utentes do Concelho de Ferreira do Alentejo, António Piteira, da Federação Distrital dos Bombeiros, e José Soeiro, presidente da Assembleia Municipal da Vidigueira.
«Pela nossa saúde internem o ministro com urgência», «Não acabem com o SNS», «A saúde não é mercadoria», «Governos limitam o direito à saúde», «Contra as taxas moderadoras» e «Não aos encerramentos de extensões de centros de Saúde» eram algumas das frases inscritas nos cartazes.
O aumento das taxas moderadoras, a falta de médicos, a redução de horários de centros de Saúde, os limites ao transporte de doentes não urgentes e o fim da comparticipação de alguns medicamentos foram algumas das medidas denunciadas.
«Fica aqui a garantia de que a luta irá continuar de todas as formas possíveis, porque não é aceitável que se esteja, mais uma vez, a sacrificar as populações mais vulneráveis» e que «as regiões do interior sejam esquecidas e prejudicadas», lê-se no manifesto, onde também se critica o fecho da maternidade do Hospital de Beja e de 34 extensões de centros de Saúde do distrito, o fim de serviços e o fecho ou privatização do Hospital de Serpa.
Os manifestantes desfilaram, depois, até à entrada do recinto do Hospital de Beja, onde se concentraram, enquanto aguardavam que uma delegação fosse entregar o manifesto aprovado pelo plenário aos responsáveis dos serviços de Saúde do distrito.
«A saúde é um direito»
No mesmo dia, na Baixa da Banheira, concelho da Moita, cerca de duas centenas de utentes, exigindo melhor saúde, manifestaram-se entre a Alameda do Povo e a Rua 1.º de Maio e protestaram também contra os aumentos das taxas moderadoras, dos exames complementares de diagnóstico e o preço elevado dos medicamentos. No final, as comissões de utentes denunciaram a falta de médicos de família para cobrir todas as necessidades da população. Intervieram, no protesto, Nuno Cavaco, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, e Viviana Nunes, vereadora da Câmara da Moita.
Na sexta-feira, desta vez em Alhos Vedros, no mesmo concelho, outras tantas centenas de utentes realizaram um desfile pelas ruas da vila, gritando palavras de ordem como «A saúde é um direito» e «Abaixo as taxas moderadoras». Naquela acção alertou-se para o facto de cerca de 60 por cento dos utentes não terem médico de família, para a degradação do edifício do Centro de Saúde, onde as prometidas obras nunca mais avançam, e para a não entrada em funcionamento da Unidade de Cuidados Continuados – propriedade da Misericórdia de Alhos Vedros, pronta há mais de seis meses e à espera que o Governo dê luz verde à respectiva abertura –, causando enorme prejuízo aos utentes que necessitam do Hospital.
Unidade na luta
Ontem, foi entregue no Ministério da Saúde uma corda, com mais de mil fitas azuis, símbolo da luta e da unidade, recolhidas na acção de protesto «Em campanha pelo Hospital no Seixal», realizada no passado dia 6 de Novembro. A entrega destas fitas reforça a posição dos habitantes dos concelhos do Seixal, Sesimbra e Almada na urgência da construção daquele equipamento de Saúde.
Esta é também uma forma de protesto pela falta de resposta, seis meses depois do pedido endereçado pelos presidentes das câmaras de Almada, Seixal e Sesimbra para marcação de reunião com o ministro da Saúde.
Para o próximo sábado, às 11 horas, junto ao Mercado Municipal da Quinta do Conde, está prevista uma concentração de utentes para exigir a conclusão e abertura do novo Centro de Saúde. «Vamos voltar às concentrações regulares e outras formas de pressão que obriguem o Ministério da Saúde a retomar os trabalhos», assegura, em nota de imprensa, a Comissão de Utentes local.
Évora contra destruição do SNS
No sábado, promovido pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), mais de 70 pessoas – representando juntas de freguesia, associações de reformados e movimentos concelhios – participaram em Évora, no Salão do Garcia Resende, num debate sobre a gravidade da situação na área da Saúde, com o aumento das taxas moderadoras, o aumento dos medicamentos, o encerramento das extensões de Saúde, o corte nos transportes dos doentes não urgentes.
Face à gravíssima situação que se vive no distrito de Évora e no País, de ataque aos direitos das populações e da sua qualidade de vida, no encontro decidiu-se lançar uma petição contra os ataques ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) para exigir ao Governo a revogação do aumento das taxas moderadoras e medidas para assegurar o transporte de doentes não urgentes, a entregar na Assembleia da República e já disponível em http://www.peticaopublica.com.
Por outro lado, o MUSP, que apela à participação na manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para o dia 11 de Fevereiro, vai realizar uma semana de luta, com início no dia 30 de Janeiro, em defesa do SNS, em todos os concelhos do distrito de Évora. O Movimento de Utentes vai ainda sinalizar o Dia Mundial da Saúde, no dia 7 de Abril, com uma acção para manifestar o descontentamento da população com as opções das políticas de Saúde seguidas pelo Governo, que visam a destruição do SNS.
Concentração de serviços no Médio Tejo
A Direcção da Direcção Regional de Santarém (DORSA) do PCP solicitou à Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) uma reunião, para o dia 26 de Janeiro, com a participação de Jerónimo de Sousa, a fim de se inteirar, em pormenor, da reestruturação de serviços nas três unidades hospitalares que integram o CHMT (Tomar, Abrantes e Torres Novas). «A chamada concentração de serviços vem somar-se às crescentes dificuldades no acesso aos cuidados primários (centros e extensões de Saúde) nos 11 concelhos abrangidos, pondo em causa o Serviço Nacional de Saúde», salientam, em nota de imprensa, os comunistas de Santarém.