Mensagens de confiançe
Na sua mensagem de Ano Novo, disponível em www.pcp.pt, Jerónimo de Sousa deixou palavras de esperança e confiança para um ano que, todos o sabemos, será extremamente difícil para a grande maioria dos portugueses. O Secretário-geral do PCP realçou que não só é possível viver melhor como o País não está condenado a este rumo de injustiças e de declínio que é apresentado como inevitável.
Foi, lembrou Jerónimo de Sousa, em nome da dívida e do défice – e mentindo aos portugueses – que PS, PSD e CDS assumiram com a União Europeia e o FMI um pacto de agressão que ameaça destruir direitos, arrasar o presente e comprometer o futuro do País, servindo os interesses dos banqueiros, dos especuladores e das grandes potências da União Europeia. Prosseguindo, alertou para o facto de, nos próximos dias, o povo português começar a sentir na pele a brutalidade dos aumentos de preços e a tentativa de aumento do horário de trabalho, contrariando aquilo que foi o avanço da humanidade nos últimos 150 anos.
Para o Secretário-geral do PCP, está nas mãos de todos e de cada um, com a sua intervenção e a sua luta, exigir uma política que olhe para as pessoas e para o seu direito a uma vida com dignidade e não para os interesses e lucros dos grupos económicos e dos bancos. Uma política que, prosseguiu, defenda e promova a produção nacional e os nossos recursos, que não desbarate e aliene o que o País ainda preserva de empresas e sectores estratégicos, que afirme a soberania e dignidade nacionais e não despreze os interesses do País num claro servilismo perante as potências estrangeiras.
Rejeitando o pacto de agressão e afirmando a exigência de uma política patriótica e de esquerda, Jerónimo de Sousa considerou o PCP a grande força de oposição à política de destruição que está em curso e na luta por mais justiça, progresso e desenvolvimento, por um Portugal com futuro.
Em sentido contrário
Já a mensagem de Ano Novo do Presidente da República foi em sentido contrário à do Secretário-geral do PCP. Como denunciou Jorge Pires, da Comissão Política, a mensagem de Cavaco Silva confirmou uma vez mais que o Chefe de Estado está «altamente comprometido com as políticas ruinosas que têm vindo a ser concretizadas no País». Cavaco Silva, acrescentou o dirigente do PCP, é «um homem que se colocou claramente ao lado do pacto de agressão e não dos trabalhadores e do País, quando referiu a inevitabilidade relativamente ao acordo que foi negociado com a troika».
Referindo-se ao apelo do Presidente da República para a criação de uma agenda para o crescimento e o emprego, Jorge Pires lembrou que essa é uma questão que o PCP anda a colocar há anos. Já Cavaco Silva, quer enquanto primeiro-ministro quer no cargo que actualmente ocupa, «colocou-se sistematicamente ao lado de políticas que são contraditórias com essa tese».
O mesmo sucede quando o assunto é a tão falada «distribuição equitativa dos sacrifícios», sustenta o PCP, que acusa o Chefe de Estado de se manifestar insatisfeito por o corte dos subsídios de Natal e de férias este ano e no próximo só se aplicar aos trabalhadores da administração pública, quando o que «gostaria era que esses cortes se aplicassem a todos os trabalhadores». Para os comunistas, por outro lado, a solução «passa por não aplicar cortes a ninguém. Não estamos de acordo com esse apelo à distribuição equitativa dos sacrifícios», frisou Jorge Pires, lembrando que o Orçamento do Estado, promulgado por Cavaco Silva, vai «exactamente no sentido contrário».