Bandeira do nosso combate
José Dias Coelho foi assassinado há 50 anos, na rua de Alcântara que hoje tem o seu nome. O PCP, do qual era funcionário clandestino quando as balas da PIDE o vararam, prestou-lhe homenagem na segunda-feira pois, como afirma a canção, os mortos, não os deixamos para trás - abandonados - fazemos deles bandeiras - guias e mestres - soldados dos combates que travamos.
Dezenas de militantes e simpatizantes do Partido participaram na sessão pública, realizada na Junta de Freguesia de Alcântara, que contou com intervenções de Margarida Tengarrinha e José Capucho (que leu o discurso de Jerónimo de Sousa, impossibilitado de estar presente) e com a declamação de poemas e a interpretação de uma canção dedicados a José Dias Coelho.
Antes, foram depositados cravos junto à placa toponímica colocada no local onde foi assassinado – ou não devesse Abril tanto ao seu talento, à sua arte, à sua entrega.
Na morte do Zé
Carlos Aboim Inglez
Para quê cantar-te, Amigo, se o meu canto
não pode dar-te a vida, estremecida?
Para quê chorar-te, Amigo, se o meu pranto
é gota de uma dor tão sem medida?
Não choro nem canto. Apenas grito
como uma fera ferida em pleno peito.
Vingança, negro alento e pão maldito,
não são sustento nem leito.
Teu corpo ensanguentado jaz no solo,
a mágoa de perder-te é sem consolo.
E mais não posso, Irmão, que a voz se embarga.
É noite, O tempo é frio. A esperança amarga.