Patriótico e de esquerda

Carlos Gonçalves

Vasco Pu­lido Va­lente (VPL), nome ar­tís­tico de um es­criba do «Pú­blico», que foi Sec. Es­tado de Sá Car­neiro e apoi­ante de Mário So­ares e deu em ex-de­pu­tado PSD «de­si­lu­dido», cujas cró­nicas tru­cidam a his­tória da hu­ma­ni­dade, à de­riva dos seus ódios de classe e pes­soais, es­creveu há dias sobre «pa­tri­o­tismo» para bran­quear a traição da classe do­mi­nante desde o sé­culo XIX e con­cluir, iden­ti­fi­cando-se com o fas­cismo: «como Sa­lazar per­cebeu, um país fraco e fa­tal­mente mal go­ver­nado tem uma única ma­neira de con­servar a in­de­pen­dência – a po­breza. O “murro na mesa” não serve de nada, a não ser para levar uma sova… Passos Co­elho que se agarre a Merkel. Por ele e por nós.»

A ci­tação é pa­ra­digma do des­prezo pela ver­dade e da ar­ro­gância re­ac­ci­o­nária dos que con­fundem o um­bigo com o País e o pa­tri­o­tismo com a conta ban­cária em off-shore.

Por­tugal ga­nhou a in­de­pen­dência e per­correu quase nove sé­culos de his­tória contra o «par­tido de Cas­tela», os Fi­lipes, os in­va­sores fran­ceses e os in­gleses de Be­res­ford, contra o ul­ti­mato de 1891 e os ali­ados do «Es­tado Novo» (como diz VPL) – o nazi-fas­cismo e de­pois o im­pe­ri­a­lismo, que se­gurou e armou Sa­lazar e Ca­e­tano contra o nosso povo e os povos das co­ló­nias. A his­tória dos avanços so­ciais e de de­sen­vol­vi­mento, de cul­tura, li­ber­dade e de­mo­cracia, foi es­crita pela luta do «povo miúdo» que de­fe­nes­trou Mi­guel de Vas­con­celos, que varreu o fas­cismo em 25 de Abril e que re­siste aos «vende pá­trias» da troika na­ci­onal.

Agora, sob a di­ta­dura do pacto de agressão, com o povo e o País exau­ridos pelo roubo or­ga­ni­zado do ca­pital fi­nan­ceiro e da troika ocu­pante, o di­rec­tório das po­tên­cias da UE avançou o diktat da per­pe­tu­ação do Pacto, da go­ver­nação eco­nó­mica es­tran­geira, do ex­ter­mínio da so­be­rania. E logo o Go­verno PSD/​CDS propôs um Golpe Cons­ti­tu­ci­onal e o PS «con­tra­propôs» uma «Lei re­for­çada», uns e ou­tros, como VPL, pros­trados aos pés de quem manda e cúm­plices de mais um crime de lesa pá­tria.

Mas nós não de­sis­timos – tra­ba­lha­dores, co­mu­nistas, de­mo­cratas e pa­tri­otas – es­tamos na luta pela rup­tura e a mu­dança, por um novo rumo à es­querda e pa­trió­tico, de prin­cí­pios e de facto, para afirmar os in­te­resses, a so­be­rania e a in­de­pen­dência na­ci­onal, por um Por­tugal com fu­turo.



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