Austeridade desfaz acordo na Bélgica
Divergências sobre as medidas de austeridade a incluir no orçamento do Estado para 2012, com vista a reduzir o défice público para três por cento, provocaram a ruptura das negociações entre os seis partidos que deveriam formar uma coligação governamental.
O aspirante a primeiro-ministro, o líder socialista francófono, Elio Di Rupo, incumbido de formar governo, apresentou, dia 22, a sua demissão ao rei Alberto II. O monarca apelou aos democratas-cristãos, liberais e socialistas para que reflictam sobre as graves consequências de um novo fracasso e encontrem uma solução para o impasse.
A Bélgica está sem governo desde Junho de 1010, ou seja há já 17 meses, o que constitui um recorde mundial deste tipo de interregnos. Em 8 de Outubro, data em que foi assinado um pacto sobre a reforma do Estado e a ampliação dos poderes da Flandres, foi aberta a via para a formação de um executivo.
Todavia, socialistas e liberais não conseguiram entender-se sobre o programa de cortes para reduzir o défice em 11 300 milhões de euros, acusando-se mutuamente de inviabilizarem um acordo.
Na mesma semana, a agência de notação financeira Standard & Poor’s baixou a classificação da Bélgica de AA+ para AA, considerando que a dívida pública, que é já de 97 por cento do PIB, ultrapassará os 100 por cento até final do ano.