Defender o sector aéreo nacional
«Como pode a Comissão [Europeia] justificar a imposição da privatização da TAP (o maior exportador nacional), pondo em causa os interesses estratégicos de Portugal, comprometendo uma alavanca importante da sua economia e alimentando o processo de concentração monopolista em curso no sector?» Esta foi uma das questões levantadas recentemente no Parlamento Europeu pelo deputado do PCP João Ferreira, inserida num pacote de perguntas dirigidas à Comissão Europeia sobre o sector da aviação comercial, resultante de uma reunião de trabalho entre o deputado comunista e a Comissão de Trabalhadores da SPdH.
No enquadramento da questão, João Ferreira chamou a atenção para a existência na Europa de três grandes grupos de aviação – Lufthansa (o maior do mundo), Air France/KLM e o recente AIG, composto pela British Airways e pela Iberia – que controlam um sector «estratégico do ponto de vista da defesa dos interesses nacionais e das respectivas economias», impondo a «colonização dos mercados de serviços associados» e a «intensificação da exploração da força de trabalho do sector, à escala europeia». Ao impor a privatização da TAP, o FMI e a UE favorecem estes grandes grupos, mais do que prováveis beneficiários dessa privatização, acusou o deputado comunista.
Numa outra questão levantada na mesma ocasião, João Ferreira realçava que a liberalização dos serviços de assistência e escala nos aeroportos «levou a uma significativa degradação das condições laborais e à substancial redução dos salários dos trabalhadores do sector». Perante o próprio reconhecimento da Comissão deste facto, o deputado questiona se esta «não considera que as exigências de segurança obrigatoriamente associadas a esta actividade são incompatíveis com a degradação das condições de trabalho, a degradação do nível de competências, a retirada de direitos e a compressão dos custos salariais dos trabalhadores deste sector».
Numa terceira pergunta, o deputado do PCP chama a atenção para o interesse da Aviapartner na privatização da SPdH. Esta multinacional coloca como condições para a compra da empresa nacional a revogação do acordo de empresa, uma substancial redução de salários e direitos e despedimentos. «Como pode a Comissão Europeia justificar que se imponha a privatização da SPdH e se legitime, assim, esta inaceitável chantagem sobre os seus trabalhadores?»