Construir a unidade contra o pacto de agressão
No comício realizado em Coimbra no dia 20, tal como nas várias acções que está a realizar pelo País, o PCP apelou à construção de um amplo movimento de rejeição do pacto de agressão.
A obrigação do PCP é contribuir para construir a unidade
A obrigação do PCP é, «face às ameaças que estão presentes, contribuir para construir a unidade», afirmou Jerónimo de Sousa no comício realizado no dia 20, em Coimbra. Perante centenas de militantes e simpatizantes do Partido, o Secretário-geral realçou que esta unidade deve visar a defesa dos direitos e das condições de vida, mas também o isolamento da política de direita e a defesa do regime democrático de Abril e das suas conquistas.
Depois de chamar a atenção para as manobras do grande capital e do poder político que o serve visando a divisão dos trabalhadores, Jerónimo de Sousa garantiu que esta unidade será «construída na acção e na luta dos trabalhadores», prosseguindo-a, intensificando-a e alargando-a até à Greve Geral de 24 de Novembro. Saudando a sua convocação, o dirigente comunista exortou todos os trabalhadores para que «convirjam numa cada vez mais vasta corrente de protesto e de luta pela rejeição do pacto de agressão e as suas medidas».Mas esta convergência deve ir mais além, sublinhou Jerónimo de Sousa, de forma a abranger «todos os democratas e patriotas, personalidades de diversos sectores». Só assim será possível, acrescentou, desenvolver e fortalecer um «amplo movimento unitário» de rejeição do pacto que tenha como objectivos centrais «salvar o País, travar as injustiças, o desemprego e o empobrecimento dos portugueses».
Jerónimo de Sousa reafirmou ainda o apelo do PCP ao povo português para que, «com a sua luta de resposta às tentativas de destruição do seu presente e do seu futuro, se levante, erga barreiras de resistência e de luta que derrotem cada uma das medidas do Governo, da União Europeia e do grande capital».
Antes, o Secretário-geral do PCP tinha já garantido que «connosco, com um governo de esquerda, direitos retirados serão para repor». É esse, aliás, o «primeiro dever de um governo patriótico e de esquerda».
Tempo de tomar partido
Vladimiro Vale, da Comissão Política do CC, que interveio antes do Secretário-geral, enunciou as tarefas prioritárias que se colocam hoje aos comunistas: multiplicar e intensificar a luta e reforçar o Partido. Há que «falar com toda a gente» e «dizer que o que roubam aos trabalhadores vai direitinho para o BPN, para a fuga de capitais para os paraísos fiscais, para negócios ruinosos que são as privatizações, para os lucros fabulosos da banca e dos grupos económicos». Temos, ainda, que dizer que a solução está na «ruptura com estas políticas».
Para este dirigente comunista, «nada tem mais importância no combate a estas políticas de classe do que a luta organizada dos trabalhadores e do povo». Assim, concretizou, os comunistas têm que mobilizar para as jornadas de luta que se aproximam, em particular para a Greve Geral. «Temos que nos preparar para a dureza de uma luta longa e difícil», concluiu, citando em seguida um poema de Brecht: «depois de falarem os dominantes/ Falarão os dominados/ porque os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã».
Vladimiro Vale apelou ainda aos comunistas para que transmitam a todos quantos se identifiquem com o PCP que «este é o momento para aderir e reforçar este Partido». Os tempos difíceis em que vivemos, prosseguiu, «tornam ainda mais imprescindível tomar partido e reforçar o PCP, a única força que nunca virou as costas à batalha e que exige de forma clara e determinada a rejeição do pacto de agressão e a luta por uma política patriótica e de esquerda».
Marcha no Seixal
Comunistas não desistem da luta
Para denunciar as medidas que PS, PSD e CDS querem impor ao povo português – agravando a exploração, reduzindo os salários, aumentando o desemprego – mais de uma centena de pessoas participou, no dia 19 de Outubro, em Amora, concelho do Seixal, numa marcha para afirmar que «é possível uma outra política» que fará de Portugal «um País com futuro».
Durante o percurso, uma das palavras de ordem mais aclamadas foi mesmo «Quanto mais calados, mais roubados», afirmação que Paulo Raimundo, da Comissão Política do PCP, presente na iniciativa, corroborou, uma vez que, perante a ofensiva, «por cada vez que deixarmos de falar, que nos ponham o pé em cima, eles (PS, PSD e CDS) irão tão longe quanto podem ir». «Está cada vez mais claro, e o Orçamento do Estado para 2012 é exemplo disso, é que não há uma medida deste Governo que resolva os problemas que enfrentamos. O que eles querem é transformar o nosso regime numa outra coisa, que ainda não foram capazes de fazer porque as populações e os trabalhadores não o permitiram», alertou.
Outra das palavras de ordem que ecoaram pelas ruas daquela Freguesia foi «Queremos o hospital no concelho do Seixal», uma conquista das populações que o PS «colocou na gaveta» e que agora PSD e CDS «querem liquidar de vez». «Estamos aqui para dizer que não desistimos dessa luta», afirmou Alfredo Monteiro, da Comissão Concelhia do PCP e presidente da Câmara do Seixal.
Mural
A célula do PCP na Câmara Municipal e Serviços Municipalizados de Vila Franca de Xira pintou recentemente um mural apelando à união e à luta dos trabalhadores contra o pacto de agressão. A pintura foi feita junto ao Hospital Reynaldo dos Santos