Pretexto para invadir e ocupar países

«O terrorismo não deixa de o ser só por ser patrocinado pelos estados imperialistas», diz o PCP, chocado com o facto de, na passagem do décimo ano sobre os criminosos atentados contra as torres do Worl Trade Center – que então condenou inequivocamente –, o imperialismo esteja de novo a promover, na Líbia e noutros países, «terroristas ligados ao fundamentalismo islâmico, incluindo de grupos que constam da lista de organizações terroristas elaborada pelo próprio Departamento de Estado dos EUA». O pretexto, diz, é a «luta contra o terrorismo ou a «segurança dos EUA» mas o seu real propósito é a «dominação planetária, o controlo dos principais recursos energéticos mundiais e o favorecimento dos interesses e lucros do grande capital».

Aliás, como o PCP então alertou, os atentados de 11 de Setembro foram aproveitados pelo imperialismo, particularmente o norte-americano, para, a pretexto dessa «luta contra o terrorismo», invadir e ocupar países soberanos, «provocando centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados e desastres humanitários e civilizacionais de trágica envergadura». Foram criados «campos de concentração e uma rede mundial de prisões secretas à margem dos sistemas judiciais e legais» e promoveu-se a tortura, o racismo e a intolerância, favorecendo a ascensão de forças de extrema-direita e xenófobas e a «falsa dicotomia segurança/liberdade», que tem servido para adoptar legislações que restringem e prevêem a suspensão de direitos democráticos. Aprofundou-se, igualmente, a militarização das relações internacionais, nomeadamente da União Europeia – que surge cada vez mais como uma potência «imperialista, intervencionista e com ambições de domínio global»; desenvolveu-se novas e mais poderosas armas; instrumentalizou-se o Conselho de Segurança da ONU; reforçou-se a NATO como organização global ofensiva.

 

Defender a paz

 

Toda uma ofensiva em que Portugal, nos últimos dez anos, tem tido um papel activo, diz o PCP, dando como exemplos a Cimeira dos Açores, a participação de forças militares e policiais portuguesas na ocupação do Iraque e do Afeganistão, o envolvimento do Governo nos chamados «voos da CIA», a realização em Portugal da Cimeira da NATO – onde se adoptou um «novo conceito estratégico» ainda mais agressivo –, o apoio do Governo português ao crime que está a ser cometido contra o povo líbio.

Uma política externa portuguesa «contrária aos interesses nacionais e aos valores da paz, amizade e cooperação entre os povos», diz o Gabinete de Imprensa do PCP, para quem é «urgente travar a escalada de guerra e violência, que ameaça arrastar a Humanidade para novas catástrofes». Aliás, a «barbárie imperialista» ameaça já a Síria, o Irão e a Argélia, entre outros países.

Assim, no momento em que se assinala os 10 anos de «um terrível crime cujos cabais esclarecimentos, reais contornos e responsabilidades continuam por esclarecer», o PCP apela aos trabalhadores e ao povo português «a redobrar a sua luta pela paz, contra o imperialismo e as suas guerras, agressões e ingerências, contra a NATO, contra todas as formas de terrorismo, incluindo o terrorismo de Estado».



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