Greve geral de 48 horas no Chile

Estudantes e trabalhadores avançam na luta

Cumpre-se hoje no Chile o segundo dia de uma paralisação nacional convocada pelo movimento sindical unitário, democrático e de classe, e atendida pelos estudantes, em luta há três meses.

«Será uma grande greve geral onde se expressarão as exigências de todos os sectores sociais»

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A greve geral culmina semanas de intensa actividade reivindicativa em vários sectores laborais (os mineiros, por exemplo) e na educação. À hora do fecho da nossa edição, mais de 80 organizações políticas, sindicais e sociais tinham aderido à jornada convocada pela Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) para os dias 24 e 25 de Agosto, com destaque para o Partido Comunista do Chile que, desde o primeiro momento, saudou a iniciativa e demonstrou empenho no seu sucesso.

A três dias da greve, também os partidos da «Concertação», plataforma que governou o Chile nos últimos anos, constituída pelos partidos Socialista, Democrata Cristão e Pela Democracia, anunciaram a sua participação, facto prontamente usado pelo actual governo de direita para lembrar que estes têm particulares responsabilidades na actual situação de conflitualidade social, já que durante os seus mandatos poucas respostas deram às aspirações populares.

Já para a CUT, a ampla adesão à paralização nacional em defesa da reforma fiscal, de alterações progressistas à Constituição, de um novo código do trabalho, de um sistema público de previdência e de maiores investimentos na Saúde e Educação, suscitava uma apreciação optimista.

«Será uma grande greve geral onde se expressarão as exigências de todos os sectores sociais para que se respeite os direitos e se implemente no país um novo modelo económico», explicou o presidente da CUT, Arturo Martínez, ouvido pela EFE.

Martinez esperava ainda que a paralisação fosse um ponto de partida para o diálogo entre os representantes dos trabalhadores e o governo, que, acusou, até ao momento havia recusado qualquer negociação.

 

Jovens motores da mudança

 

No processo que conduziu à greve geral destaca-se, ainda, e justificadamente, o contributo dado pelos estudantes e professores do Secundário e do Superior. Sem cederem ao canto da sereia das sucessivas propostas do executivo liderado pelo empresário Sebastián Piñera – que nas últimas semanas se desdobrou em planos paliativos –, alunos e docentes souberam insistir na exigência central: a instituição no País de um sistema educativo público, gratuito e de qualidade, e o seu reconhecimento como direito inalienável no texto fundamental do Chile.

Os jovens, antes de todos, souberam igualmente analisar com finesa o amadurecimento de uma situação insustentável para a esmagadora maioria das famílias e conduziram a luta seguros da razão que lhes assiste. No Chile, a maioria dos liceus são privados e a propina de frequência universitária pode chegar aos 350 euros mensais, condições objectivas que, no presente contexto de crise e austeridade para os trabalhadores e as camadas laboriosas, funcionaram como propulsor da mobilização do povo para a acção.

Os estudantes não recuaram perante ameaças, provocações, repressão e violência gratuita, detenções arbitrárias, paternalismo e caricatura do movimento, acompanhadas por uma intensa campanha mediática que os apresentava como uma horda de desordeiros sem causa sedentos de destruição. Mostraram, pela acção concreta e determinada, que não aceitavam remendos numa estrutura carente de transformações profundas.

Ainda no passado domingo, cerca de um milhão de chilenos, de acordo com o Resumen Latinoamericano, participou numa marcha em Santiago do Chile. Na capital, estiveram discentes e docentes, pais e avós, expressão de uma «primavera antecipada», como lhe chamou a dirigente da Confederação dos Estudantes (Confeh), Camila Vallejo.

«O governo ficou sozinho», considerou também a dirigente estudantil e militante comunista, isolamento social conquistado em tempo recorde pela luta de massas intransigente e audaz.

Entre 50 e 100 mil pessoas já haviam marchado na quinta-feira, dia 18, também em Santiago. Apesar da chuva intensa, os participantes desfilaram pacificamente na cidade apenas três dias antes da manifestação mais alargada. A jornada serviu para reiterarem o repúdio dos agentes educativos pelas propostas do governo, e, sobretudo, para dizer ao povo para não ter medo.

Nessa mesma noite e já na madrugada de sexta-feira, 19, milhares de pessoas nas maiores cidades do país saíram às ruas ou assomaram-se às janelas e portas para um valente cacerolazo pedido pela Confeh, através do qual mostraram, mais uma vez, rejeição pela ofensiva em curso.



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