É da história!

João Frazão

Neste fim-de-semana regressámos aos bons velhos tempos. Uma festarola em grande no Pontal, com direito à presença do líder do PSD e primeiro- ministro, o que já não acontecia desde meados dos anos 90.

A comunicação social exultou, foi aos baús do arquivo histórico para lembrar que a festança já não é coisa recente, pois, veja-se, começou a fazer-se pela mão de Sá Carneiro!

Passos Coelho esse, – retemperado com as férias recentes, mas assustado com as imagens vindas de terras de Sua Majestade, que ele sabe serem consequência da brutalidade das políticas de direita, de agravamento da exploração e de depauperação das condições de vida de milhões de seres humanos – falou de história, de normalidade e de apelos à concertação.

Que este Governo já vai entrar para a história, apesar do pouco tempo que leva; que agora é que Portugal voltou à normalidade; e que é necessário fazermos, todos, um esforço de concertação.

Dito isto, talvez seja necessário reconhecer que o cavalheiro não deixa de ter uma certa razão!

Desde logo por este Governo, está já mais que comprovado, ir buscar à pré-história do capitalismo e da exploração as receitas que agora aplica – o roubo aos trabalhadores e aos povos – o que, aliás, constitui a normalidade (lá está) para quem está ao serviço do capital e dos grupos económicos e financeiros.

Entretanto, como vem nos compêndios, e face à brutalidade das medidas entretanto anunciadas e das reacções que elas vão causar, apela ao diálogo, à procura de uns acordos (também históricos, refira-se) com os amigalhaços do costume que as legitimem.

Assim como é dos livros a reacção dos outros partidos a tal discurso. Há os que estão absolutamente comprometidos e engajados com esta política e com as opções de fundo a que ela corresponde, mas que agora procuram pôr o corpinho de fora, e aí está o PS a criticar o discurso. Há os que, como o BE, exigem os prometidos cortes nas gorduras do Estado, não percebendo que mais dia menos dia esse corte chegará e isso, em linguagem PSD/CDS, significa despedimentos e deterioração do serviço público e nada mais. E há aqueles que anunciaram desde a primeira hora não dar um minuto de trégua a este Governo e aí estão apontando o caminho da alternativa, da luta e da mobilização popular.

O Secretário-geral do Partido bem afirmou que o que eles têm é medo da luta organizada. E isso também a história confirma!



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