Protestos contra o aumento do preço dos transportes

A indignação não vai de férias

Um pouco por todo o País, o aumento do preço dos transportes públicos contou com o protesto dos utentes. Para os comunistas, este é um «roubo aos trabalhadores e ao povo».

Os aumentos penalizam mais aqueles que menos têm

 

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Ainda os brutais aumentos dos preços dos transportes públicos não se faziam sentir nos empobrecidos bolsos dos portugueses e já o PCP andava, um pouco por todo o País, em estações e terminais, a denunciar mais este «roubo» aos trabalhadores e ao povo. No final da semana passada, militantes comunistas contactaram milhares de pessoas denunciando estes aumentos (em alguns casos na ordem dos 25 por cento) e apelaram ao seu protesto e indignação.

No documento distribuído, os comunistas derrubavam um por um os «mitos» que suportam os aumentos, ao mesmo tempo que denunciavam os reais motivos por detrás desta opção: o favorecimento aos grupos privados e a preparação das privatizações previstas no sector (ver, a este respeito, as páginas 14 e 19).

Este esforço de esclarecimento e mobilização dos comunistas e das comissões de utentes dos transportes públicos foi coroado, na segunda-feira, com diversas acções de protesto em todo o País. Na Póvoa de Santa Iria, os utentes expressaram o seu protesto com um corte de linha, que durante 30 minutos imobilizou a circulação ferroviária nos dois sentidos. Também nas estações da CP de Oeiras, Amadora e Cacém, e na Estação da Pontinha do Metropolitano, as populações manifestaram-se contra o aumento dos preços.

Em Lisboa, no Cais do Sodré, os utentes cortaram a Avenida 24 de Julho e, num protesto junto ao Ministério da Economia, entregaram no gabinete do ministro Álvaro Santos Pereira um manifesto de protesto. No final, Amável Alves, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações, acompanhado por elementos do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), sublinhou que os aumentos são uma decisão que «atinge os que menos têm».

No Porto, ao apelo do Movimento dos Utentes dos Transportes Públicos, responderam centenas de pessoas que se concentraram junto à estação de São Bento. Expressando o seu descontentamento, os utentes entoaram palavras de ordem tais como «o custo de vida aumenta, o povo não aguenta» e «aumentos, assim não dá», acabando por interromper o trânsito que circulava até que fosse lida e aprovada uma moção, a enviar para a Assembleia da República e para a Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto, onde se exige a revogação dos aumentos e se contesta a privatização das empresas públicas de transporte. Os deputados do PCP Jorge Machado e Ilda Figueiredo estiveram presentes no local.

Na Ponte 25 de Abril realizou-se um «buzinão» de protesto contra a reintrodução do pagamento de portagens em Agosto e pela abolição total de portagens na travessia. Debaixo de chuva, muitos milhares de automobilistas responderam aos apelos que a comissão pendurou no viaduto do Pragal: «Contra as portagens! Contra o aumento nos transportes! Buzine!». Uma acção que contou com o apoio de vários autarcas da Margem Sul. Carlos Humberto, presidente da Câmara do Barreiro, considerou que as soluções adoptadas «são muito penalizadoras para as pessoas».

Entretanto, o ministro da Economia garantiu que para Janeiro estão previstos novos aumentos.



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