Economia ameaçada
O governo cipriota demitiu-se, dia 28, a pedido do presidente Demetris Christofias, que vai nomear um novo executivo para enfrentar a crise política e económica, após o acidente que destruiu a principal central eléctrica do país.
Acidente destruiu principal central eléctrica do país
A explosão de um paiol de munições numa base naval, ocorrida dia 11 de Julho, para além de ter vitimado 13 pessoas, destruiu a maior central eléctrica do Chipre, responsável por 60 por cento da produção de energia.
As autoridades foram obrigadas a importar electricidade, o que não tem evitado cortes diários que se reflectem negativamente na actividade económica.
Depois da demissão dos ministros Marcos Kirianou (Negócios Estrangeiros), e Costas Papacostas (Defesa), ambos do partido Diko (centro-direita), minoritário na coligação governamental, o presidente comunista, Demetris Christofias, anunciou uma remodelação governamental para «restabelecer a confiança dos cidadãos no Estado e nas suas instituições, e salvar a economia» do país.
Até aqui, o Chipre dava sinais de resistir bem à crise económica, tendo mesmo registado um aumento da actividade turística, que representa 20 por cento do PIB. Actualmente, a dívida pública ronda os 60 por cento do PIB e o défice do Estado é de 5,3 por cento, números que revelam um equilíbrio financeiro invejável para a maioria dos países da UE.
Todavia, estes indicadores não impediram a famigerada agência de notação Moody’s de baixar a nota do Chipre, antecipando desde já dificuldades orçamentais decorrentes da reconstrução da central destruída, com custos avaliados em mil milhões de euros. Este montante, num país cujo Produto Interno Bruto é 17,4 mil milhões de euros, deverá, segundo a agência, anular todas as perspectivas de crescimento económico nos próximos anos.
A isto soma-se a crise na Grécia que ameaça abater-se sobre o sistema financeiro cipriota, onde os três principais bancos estão fortemente ligados à economia helénica. A Moody’s aponta o risco de contágio e afirma que «certos bancos cipriotas precisarão de apoio do Estado a médio prazo». Refira-se que a banca cipriota acumula activos equivalentes a 600 por cento do PIB, donde uma eventual crise financeira teria efeitos de uma hecatombe.
O clima de alarmismo foi acentuado pelo governador do Banco Central, Athanasios Orphanides, ao considerar, numa carta ao presidente, Demetris Christofias, que «a economia está hoje num estado de urgência comparável ao de 1974» (Le Monde, 27.07), ano em que o exército turco ocupou a parte Norte da ilha.
Este conjunto de circunstâncias terá levado o governo a elaborar um plano de austeridade que inclui a redução da despesa pública e a privatização da Bolsa de Nicósia.